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29 de janeiro de 2011

Crise

Das palavras que para mim perderam parte (senão todo) de seu significado, uma delas é "crise". A sociedade está em crise. As instituições financeiras ao redor do mundo estão em crise. O país enfrenta diariamente várias crises.

Crise é algo subjetivo. O dicionário indica um momento que antecede a tomada de decisão. Geralmente envolve um ou vários dilemas, que serão resolvidos ao final desse período de reflexão. 88% das crises surgem nos fins de semana, 75% delas no domingo à noite.*

Desde que concluí a faculdade - e até um pouco antes disso - penso em uma segunda graduação, pós, mestrado, doutorado, pós-doutorado (e como saber se ainda preciso usar hífen?)... Falta dinheiro, sim. Falta um pouco de planejamento também. Falta posicionamento, porque morar no interior e trabalhar/estudar na capital é algo por si só extremamente desgastante. Mas o principal é que falta uma definição. Estudar o quê? Onde? Pra quê? Vale a pena recomeçar do zero se for preciso?

Crise. Aquela coisa que nos deixa com uma sensação de impotência indescritível. Você não sabe qual o próximo passo, mas sabe que precisa continuar. Você pede conselhos, analisa propostas, busca saídas mas continua sem nada. E a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou...

Qual é a sua crise, José?

* 83% das estatísticas que citamos são inventadas na hora. Apenas 15% se aproximam da realidade.

21 de junho de 2010

Entrega

Ultimamente está na moda aconselhar as pessoas com uma frase um pouco absurda, que parece a receita mágica que vai resolver tudo: "Se joga, amiga!"

A gente fala isso pra aquele amigo que tem dúvidas se muda ou não de emprego, pra aquela vizinha que morre de amores pelo carinha da faculdade, pra aquela prima que não sabe se casa ou compra uma bicicleta. A resposta padrão para a grande questão da humanidade ("Vou ou não vou?") hoje em dia é simples: Vai lá, bota a cara, segue em frente!



Admiro muito as pessoas que têm coragem de seguir seus instintos, suas intuições ou mesmo os desejos de seu coração. Admiro porque também sou assim. É extasiante lutar por algo em que se acredita, mesmo que aos olhos do resto do mundo pareça loucura.

Foi assim que atravessei meio mundo. Foi assim que fiz uma faculdade cujo diploma não vale mais nada. Foi assim que acreditei que conseguiria fazer tudo dar certo. Foi assim que abandonei aquilo que me matava.

Estas são palavras de alguém que já se machucou muito. De quem sabe que a vida não é um mar de rosas, mas também tem certeza de que não se vive (feliz) só com os espinhos. Sei que já fiz muito #mimimi com as quedas que tomei, e prometi a mim mesma parar com essa hipocrisia. Não consigo mudar, não consigo me entregar menos. Consigo, no entanto, poupar o mundo das lamúrias repetitivas que nadas constroem.

Eis que mais uma vez é a hora da entrega. Não só pra esta garota crescida que está acordada de madrugada escrevendo um texto e ouvindo Beatles. Outros à minha volta também estão neste momento acordados, pensando em suas próprias decisões. E sabem que precisam ser extremistas, senão nada do que foi planejado funcionará.

Que me desculpem os mais covardes, mas a entrega é essencial.

(O rascunho deste texto surgiu há exatos três meses e meio. Não que esse tempo tenha mudado meu pensamento. Continuo "me jogando", e me entregando a tudo o que faço. Tombos todo mundo leva, e os meus não são nada pequenos, mas... de que outro jeito é possível ganhar se a aposta não for alta?)

11 de fevereiro de 2009

Aqui e lá


De repente ela se viu perdida em pensamentos... Não simples pensamentos, como "acho que vai chover" ou "tenho que lembrar de passar no banco". Pensamentos sérios, sobre quais rumos gostaria que sua vida tomasse, ou como era bonito o sorriso do outro. (Sim, o outro. Aquele primeiro das outras histórias já está ficando pra escanteio há cerca de um mês...) Foi num desses pensamentos felizes, de lembranças de tempos recentes, que ela se viu perdida de verdade.

Além do outro, havia um terceiro que é (além de outras coisas) estrangeiro. Vive na Europa, com todo o conforto que o frio desta época do ano proporciona. Os dois conversam bastante, e sempre em algum momento surgem as frases "queria estar aí..." ou "quando vieres pra cá..." Por enquanto é tudo muito novo, mas ela acha que já está ficando perigosa esta relação à (grande) distância. Tudo é perigoso quando não se tem consciência do que se faz.

Tentou substituir os devaneios relacionados ao terceiro. Tentou pensar em ligar pra o outro, tentou imaginar o que estaria fazendo naquele momento. Tentou, e conseguiu. O problema foi quando o mp3 começou a tocar uma música que a fez pensar no terceiro novamente. Logo em seguida, a próxima música a trouxe de volta ao Brasil. E assim foi, por todo o trajeto entre a faculdade e sua casa. Duas faces dividiam o mesmo espaço em seus pensamentos.

Dois lados totalmente opostos, porém com um ponto comum: duas pessoas que a querem bem. Não o simples querer do fato de gostar de alguém. É também o querer do desejo, o querer que desperta alguém para outras emoções, igualmente fortes.

Ela não quer admitir, mas depois da descoberta desta tarde é inevitável, e não pode continuar a ser ignorado: ela adora um rolo complicado. Daqueles que têm filhos no meio, namorada traída ou dois disputando o mesmo pedaço de seu coração. Ela se sente viva com estes problemas por resolver, com a dúvida e a certeza sempre trocando seus lugares.

Entre a aventura duvidosa e a estabilidade quase certa ela ainda não conseguiu decidir. Sabe apenas que não poderá mais ouvir Paralamas do Sucesso enquanto não resolver de quem ela quer gostar de verdade.

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