Sarah Kelly escreve neste blogue quando lhe é permitido. Ela quer que as pessoas ouçam o que ela tem a dizer, mesmo que muitas vezes tudo só faça sentido para ela mesma.
6 de maio de 2013
Sou sua melhor fotógrafa
Mas se tem uma coisa na minha profissão que nunca me esforcei muito pra aprender foi tirar fotos. Sempre gostei de simplesmente apertar o botão e ver o que saía. Errei, sim - e como! Só meu bolso soube quais as consequências dessa minha mania na época das câmeras analógicas e filmes de rolo. Só meu HD sabe hoje em dia o número imenso de fotografias inúteis que já tirei (e guardei, mesmo sabendo que eram lixo).
Diziam, nos primórdios da fotografia, que os instantâneos tinham o poder de aprisionar as almas das pessoas. Ao ver algumas fotografias eu afirmaria isso com certeza, tamanha a beleza que um quadro de milésimo de segundo pode proporcionar. Ao ver outras afirmaria com a mesma certeza, tamanho o desespero que transmitem. Quem foi que disse que todas as pessoas eram boas e que tudo seria divino, maravilhoso?
Assim como existem os catadores que passam pelas ruas com suas carroças abarrotadas de coisas que outras pessoas jogaram fora, também há os catadores virtuais. Aqueles que insistem em pegar fotos que já foram consideradas lixo e reeditá-las, mudar contraste, cortar créditos e fazer parecer que aquilo é algo novo. Não é. Palavra de quem sabe reconhecer cada clique que já disparou. E, principalmente, de quem sabe de perto o que é ruim.
Diga "xis"!
18 de fevereiro de 2013
Um bom conselho
Novidade é um negócio interessante. Ela aparece de repente e você sente uma necessidade louca e imperativa de contar logo para aqueles que merecem saber dela. Após os primeiros relatos e o choque inicial -- sim, porque toda novidade traz um choque, por menor que seja -- começam a pipocar os primeiros conselhos.
Conselho é uma coisa engraçada, porque vem logo após a novidade, num tom de proteção/preocupação, mas ao mesmo tempo com toda a felicidade (ou tristeza) que se possa dedicar a um bom companheiro. É aquela frase que algum dia talvez você até já tenha ouvido do próprio amigo, em outro contexto, em outra situação. O mais comum é que o conselho venha inclusive acompanhado de uma risadinha, na maior denúncia de que, sim, você já viu aquele filme.
Nessa onda de "faça o que eu digo, não o que eu faço" seguimos, na maior cara de pau, reafirmando aquilo que um dia já recebemos como regra inquebrável, para o bem de todos e felicidade geral da nação.
Meu conselho no momento é: "Vá com calma". Calma e paciência, embora pareçam, não são a mesma coisa. Esta, eu tenho até de sobra quando quero. Aquela, nem com reza brava dá pra conseguir em certos momentos.
Sigo cantando, assoviando e desejando que o tempo amigo seja legal, porque faltarão dentes e sorrisos e músculos faciais e pernas e braços e abraços pra toda a alegria que, com calma, chegará afinal.
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7 de abril de 2012
Ponto final
26 de dezembro de 2011
Conversa de travesseiros (ou "O que ler Dostoiévski pode fazer com seu subconsciente")
Havia dias em que inventava de dormir com os pés na cabeceira da cama. "Durmo sozinha, ninguém pode me julgar", justificava-se. Levava para baixo das cobertas sempre um companheiro diferente nas madrugadas em que o sono demorava a chegar. Cony, Dostoiévski, Bukowski, Mark Knopfler e seus solos transcendentais. Passou anos desta maneira.
Em uma noite quente de Natal em que era impossível fechar a janela, decidiu usar um dos travesseiros como barricada para a brisa que invadia seu quarto. Deu tão certo que o hábito se transformou em necessidade. "E quando você se casar e tiver que dividir a cama com alguém? Como vai ser?", reclamava a mãe. "Bah!, depois penso nisso", retrucava.
Dito e feito: seu marido tinha que aguentar aquele travesseiro entre eles. Ela tentou, em vão, substituir a peça de espuma pelo lençol, mas nada a dava tranquilidade suficiente para fechar os olhos. O cônjuge sentia-se desprezado, apesar de todo o carinho que recebia nas 16 horas restantes do dia.
Não entendia seus motivos, então desenvolveu uma obsessão por aquela parede fofa. Chegou a extremos infantis, como esconder o travesseiro sobressalente ou mesmo arrancá-lo de cima do rosto de sua amada durante a noite. Nada adiantava. A falta da peça fazia com que ela acordasse imediatamente e iniciasse a mesma discussão de sempre:
"Me deixa!"
"Mas eu quero te fazer um cafuné!"
ou
"É perigoso! E se você ficar sufocada?"
"Isso nunca vai acontecer!"
O marido, resignado, ia dormir sempre antes dela. Cada um em um canto da cama king-size com colchão de quinhentas molas. Desenvolveu distúrbios de sono, roncava, mexia-se demasiadamente, falava durante a noite inteira. O travesseiro a impedia de ouvir a sinfonia da separação.
Certa vez ele levantou-se e foi espalhando todos os cobertores pela casa. Ela acordou com frio, percebeu que o esposo não estava ao seu lado, pegou um edredon no armário e voltou para a cama. "Sonambulismo, era só o que faltava!", pensou, antes de meter a cabeça embaixo do travesseiro de novo. Pela última vez.
29 de junho de 2011
Jeitos e jeitos
Sorridente. Fechado. Solitário. Orgulhoso. Carente. Brincalhão. Inteligente. Atencioso. Mandão. Carinhoso. Medroso. Curioso. Desligado. Educado. Babaca. Saudosista. Sensível. Devagar. Lerdo. Muito, mas muito lerdo. Sincero. Alto. Bonito. Sensual.
29 de outubro de 2010
Depois de 20 anos na escola
Agosto de 2010, minha casa. A mãe de Carol conta que a filha gostaria, mas não havia conseguido iniciar seu mestrado ainda neste ano. Carolina tem um ano a menos que eu e concluiu a faculdade em dezembro último. Eu digo a ela que é melhor mesmo esperar um pouco.
Segundo semestre de 2003, Arujá. Carol e eu éramos da turma dos CDFs do colégio, ela no primeiro e eu no segundo ano do colegial. Colecionávamos boletins em que os noves-e-meio, noves e alguns oitos conviviam com uma enxurrada de notas DEZ. (Assim mesmo, DEZ, escrito por extenso com todas as letras em caixa alta. Tem como não almejar um boletim recheado deles?) A direção achou que estimularia o interesse dos alunos se oferecesse um prêmio (R$ 100) para o melhor aluno de cada sala, e um segundo prêmio (R$ 150) para o melhor entre os melhores do Ensino Médio. Foi a primeira e única vez em que, de fato, consegui converter minha inteligência em dinheiro vivo.
Maio de 2009, Virada Cultural em SP. Procurei por quase duas horas um amigo no meio da multidão reunida na Av. São João para assistir ao show dos... (quem era mesmo?) Já estava quase desistindo quando finalmente consegui reencontrar o brasileiro que conheci alguns anos antes, nas terras d'além-mar. Ele estava de passagem pelo Brasil, para concluir seu mestrado.
Fevereiro de 2007, Coimbra. Estudantes protestam contra a mudança no sistema de ensino superior, que reduz a duração do curso em um ano e possibilita a continuidade da carreira acadêmica com relativa facilidade. O objetivo é aumentar o nível de escolaridade e facilitar o aproveitamento de créditos entre as diversas universidades europeias. Ouvi de muitos portugueses aquela máxima que vem desde antes das caravelas: "O modo de fazer é o mesmo há séculos, por que mudar agora?"
Segundo semestre de 2006, São Paulo. Eu adorava minha vida de estudante. Estagiava numa ONG e tinha grandes planos pra quando terminasse a faculdade. Dois dos meus melhores professores eram bem jovens e emendaram a graduação e a pós, o que me fez pensar em fazer o mesmo. Até que um dia um deles me perguntou se eu gostaria de ser professora...
Ontem à noite, meu quarto. Me flagrei pensando em como eu seria feliz se eu ainda fosse estudante.
Três meses atrás, Arujá. Na falta de perspectivas, lugares ao sol e Q.I.(Quem Indicasse), resolvi procurar empregos fora da minha área. Encontrei uma atividade tranquila, trabalho do lado da minha casa e tenho os alunos mais fofos do mundo. Será que encontrei mesmo o caminho certo?
Dois meses atrás, ainda no meu quarto. Queria ser doutora. Queria queimar os neurônios que ainda restam. Queria pagar pra ver se vale a pena tentar matar essa minha sede de conhecimento que não acaba nunca.
(E se o Serra virar presidente eu dou um jeito de me mandar pra Coimbra de novo, continuar os estudos lá. Será que dá?)
22 de outubro de 2010
Atualizando
(And I need a beer.)
Se você procura um grande texto rebuscado, cheio de alegorias bonitas e piadinhas nerds, perdeu seu tempo. Vaza, amigo, que hoje o papo é introspectivo. Lembra da descrição do blog? Então...
Meu irmão finalmente conseguiu consertar a moto que tava desmontada no quintal há pelo menos três meses. Felicidade instantânea.
Continua a busca por um ingresso do Planeta Terra. Continuo revoltada por não conseguir. É...
Comprei dois livros de quadrinhos pelo Submarino. Cachalote, de Daniel Coutinho e Rafael Galera. Retalhos, de Craig Thompson. O primeiro eu li hoje mesmo, em pouco mais de duas horas. Li não, devorei. Não entendi nada. Ou talvez tenha entendido tudo. Tudo o que eu não queria. É a vida. A dos personagens, a minha, a de qualquer um.
Menina mimada que sou, foi inevitável achar que o mundo (ainda) gira ao meu redor. Péssima escolha tentar comparar a minha história a uma (ou todas) do livro.
Segundo erro: insistir na comparação, mesmo depois de perceber que os enredos (sim, são cinco) não mostram exatamente a parte mais feliz da vida. Terceiro erro: não fazer - como sempre faço - a leitura com o caderninho do lado, pra anotar frases que eu achei interessantes ou destacar trechos. Herança da faculdade, não gosto de riscar livros. Acho que vou ter que ler tudo de novo. ^_^
Quero voltar pra Paris. Quero viajar o mundo. Quero um filho. Quero encontrar uma cachalote na piscina.
Bom fim de semana.
1 de outubro de 2010
A carência nossa de cada dia
"Oi, meu nome é Sarah e não me apaixono há um mês"Essa seria uma ótima frase pra começar o grupo de ajuda. Está aberta mais uma sessão da Associação das Pessoas que se Apaixonam Demasiadamente! (É, APAD. Pode ser...)
Meu último post foi sobre contos de fadas, príncipes encantados, desilusões e coisas assim. Eu não queria - de verdade - bater de novo na mesma tecla, mas parece que o assunto é mais recorrente do que Levy Fidélix e Eymael em horário eleitoral gratuito.
Faz algum tempo que eu tou numa vibe de aprender a ser feliz sozinha. Obviamente muitos fatores contribuíram pra essa condição, mas o principal até então era o famoso "Cansei". Cansei da babaquice alheia, da agenda apertada, da falta de atenção e da atenção excessiva. Cansei de ter que ficar pagando tudo e também de não me deixarem pagar nada. Cansei de ouvir desculpas esfarrapadas, cansei de não ouvir nem mesmo uma desculpa, cansei de ter sempre que inventar desculpas. Cansei da voz estranha, do jeito de andar e do olhar de peixe morto. Cansei da atenção de cachorrinho, das conversas pseudo-filosóficas que não levam a lugar nenhum e do ar de superioridade ao falar, como se cada "vê uma cerveja, garçom" fosse a frase inicial de um discurso.
Depois de me livrar dos encostos pude reorganizar aquilo que ficou: a boa música, os bons amigos, as boas tardes de sábado assistindo TV debaixo das cobertas... antes só do que mal acompanhada.
O problema é: tá, e agora o que eu faço com isso?
PS. Hoje foi um dia meio difícil, e a única coisa que eu queria era ganhar um abraço demorado e ouvir que tudo vai ficar bem. Toda essa independência, hoje, não tá me adiantando muito não. #Comofaz?
26 de setembro de 2010
Fairy tale
Quando eu era pequena assistia a muitos programas infantis, a maioria deles na TV Cultura. Havia um que se chamava "Contos de fadas", produção muito feliz da americana Shelley Duvall, que trazia convidados ilustres como Anjelica Huston, Robin Williams e outros. Naquela época eu nem sabia quem eram tais figuras, mas hoje foi exatamente um desses artistas que me fez assistir pela milésima vez à história da Bela Adormecida. Christopher Reeve, o eterno SuperMan (em todos os sentidos possíveis) lá estava, vestido de príncipe encantado e empunhando um machado. Tem coisa mais divertida do que descobrir que uma das suas referências nerds mais antigas vem das histórias da infância?
Convido-vos a apreciar a história. Todos os vídeos somam quase uma hora, então sugiro um pote de pipocas e uma cadeira confortável. =)
1:
"Viemos de uma terra muito distante"
"Ah, de fato temos muitos viajantes de lá"
2:
"Todos esses dons, para que servem? Crescer, apaixonar-se, viver feliz para sempre, certo? Ótimo. Besteira! Inútil! Homens, yargh! Amor, ugh! Vocês estão falando de sofrimento, dor no coração, problemas, estão me ouvindo?"
3:
"Príncipe, onde está o seu senso de humor?"
"Francamente, madame, é o seu senso de decência que me interessa."
(...)
"Fique longe das princesas. Elas sempre vão te considerar um tolo."
4:
"Não aperfeiçoe o que já é perfeito."
5:
"Cá entre nós, vamos esperar que haja um príncipe por aí com mais coragem do que juízo."
6:
"Você é meu sonho tornando-se real, ou estarei sonhando agora?"
Depois de tudo isso sobram ainda poucas palavras. Eu devia ter prestado mais atenção na Shelley Duvall do que na Disney. E estou ficando cada vez mais parecida com a fada má do segundo vídeo. E tenho medo disso.
28 de agosto de 2010
Palavras, apenas
Pois bem. A árvore pode ser arrancada por estar atrapalhando a passagem de uma nova estrada e o filho pode tomar um caminho totalmente diferente daquele que seus pais trilharam, mas as palavras não serão alteradas... jamais?
Lembrei hoje de três frases que depositei na contracapa de uma edição de bolso dos melhores contos de Edgar Allan Poe. Não importa o que foi escrito, mas veio à mente a singeleza do ato: um livro comprado na revistaria do aeroporto, uma pessoa de partida, uma outra que iria ficar. Três anos e onze meses depois não faço ideia de onde esteja este livro. Foi jogado no lixo num acesso de raiva, em uma tentativa (bem sucedida, diga-se de passagem) de machucar um coração. Não que os bons sentimentos que outrora existissem ainda estejam vivos hoje, mas o que incomoda de fato é que as lembranças também foram apagadas. Como se nunca houvessem existido.
Vejo situações semelhantes em alguns livros que habitam minha estante: palavras que não foram escritas pra mim de pessoas que eu nunca chegarei a conhecer. Tudo que foi parar nos sebos da vida, resgatado por cinco ou dez reais de cada vez. Declarações de amor, de amizade, anotações feitas a lápis; à caneta azul, vermelha, preta. Manchas de óleo, marca-texto pra iluminar as ideias e pedaços de papel marcando páginas que não fazem sentido pra mais ninguém.
Por outro lado lembrei também de um outro livro, uma outra edição de contos de Poe que eu tinha há quase 10 anos e que está hoje perdida. Digo perdida porque foi emprestada a alguém que nunca mais vi. Quem sabe um dia o destino se encarregue de me devolver o exemplar rabiscado, com um poemeto ridículo digno de uma menina de 14 anos sem muita vontade de concluir a leitura. Mais uma vez, não pelo que ali está, mas pelo que algum dia aquilo representou.
Seria interessante poder reciclar palavras, como se reciclam livros...
21 de junho de 2010
Entrega
A gente fala isso pra aquele amigo que tem dúvidas se muda ou não de emprego, pra aquela vizinha que morre de amores pelo carinha da faculdade, pra aquela prima que não sabe se casa ou compra uma bicicleta. A resposta padrão para a grande questão da humanidade ("Vou ou não vou?") hoje em dia é simples: Vai lá, bota a cara, segue em frente!
Foi assim que atravessei meio mundo. Foi assim que fiz uma faculdade cujo diploma não vale mais nada. Foi assim que acreditei que conseguiria fazer tudo dar certo. Foi assim que abandonei aquilo que me matava.
Estas são palavras de alguém que já se machucou muito. De quem sabe que a vida não é um mar de rosas, mas também tem certeza de que não se vive (feliz) só com os espinhos. Sei que já fiz muito #mimimi com as quedas que tomei, e prometi a mim mesma parar com essa hipocrisia. Não consigo mudar, não consigo me entregar menos. Consigo, no entanto, poupar o mundo das lamúrias repetitivas que nadas constroem.
Eis que mais uma vez é a hora da entrega. Não só pra esta garota crescida que está acordada de madrugada escrevendo um texto e ouvindo Beatles. Outros à minha volta também estão neste momento acordados, pensando em suas próprias decisões. E sabem que precisam ser extremistas, senão nada do que foi planejado funcionará.
Que me desculpem os mais covardes, mas a entrega é essencial.
(O rascunho deste texto surgiu há exatos três meses e meio. Não que esse tempo tenha mudado meu pensamento. Continuo "me jogando", e me entregando a tudo o que faço. Tombos todo mundo leva, e os meus não são nada pequenos, mas... de que outro jeito é possível ganhar se a aposta não for alta?)
17 de junho de 2010
Escudo ou espada?
Durante algum tempo guardei este "conselho" comigo, mas não fui capaz de usá-lo. Em duas ocasiões, contra duas pessoas diferentes, achei que simplesmente não valia a pena. Não que eu tenha mentido para elas. Disse toda a verdade. Mas Aquela verdade, a Matadora, que me ensinaram a despejar como um caldeirão de óleo quente na cabeça do outro, essa não consegui dizer.
De fato, a verdade dói. Machuca o confronto com nossos defeitos, nossos erros todos. Machuca mais ainda quando isso vem da boca de outra pessoa que - não raro - levamos em alta consideração. Por ter estado do outro lado, ou por simplesmente ter o coração de manteiga, não tive coragem de jogar na cara alheia tudo aquilo que pensei. Tudo aquilo que todo mundo sabe que é verdade.
Errei? Talvez. Prefiro pensar que não. Afinal, existem tantas "verdades" convivendo por aí hoje em dia, né?
16 de junho de 2010
Far far away

Mania que eu tenho de me apegar a pessoas inalcançáveis.
Quanto mais longe, melhor. Pode ser outro estado, outro país, outra religião, outra filosofia, outra classe social. (Não que eu me importe muito com isso, mas qualquer um que já tenha enfrentado alguma destas diferenças sabe que esses fatores influenciam qualquer decisão.)
Quanto mais longe maior a fantasia. Maior a saudade, maiores os desejos de estreitar laços, maior a cumplicidade e a sinceridade. "Tou saindo pra me divertir, mas tou pensando em você". Claro. O pensamento já basta. Do que mais pode se alimentar um sonho?
"Longe" é uma medida demasiado pequena para a subjetividade.
25 de maio de 2010
Sobre toalhas e calendários
Os dias têm sido meio estranhos ultimamente. Acho que é o inverno chegando. Acho que é a posição da Lua. Acho que é a minha posição.
Dizem que de 2012 não passaremos. Eu já não sei de mais nada. Sei apenas que hoje, 25 de maio, foi o dia da toalha e que contei pelo menos 15 pessoas olhando torto pra mim no metrô. Só porque eu estava com uma toalha nos ombros? E depois dizem que nas grandes cidades como São Paulo as pessoas não reparam umas nas outras. Tinha bastante gente reparando numa maluca portando uma toalha e pronta pra pedir carona em qualquer espaçonave que passasse. Até os Vogons seriam mais cordiais. Parem o mundo que eu quero descer.
Site a todo vapor, campeonato brasileiro bombando, noites maldormidas. Morar longe, viajar todo dia, sonhar com as viagens que quero fazer. Trânsito lento, trânsito devagar-quase-parando e trânsito impossível. Parem o mundo que eu quero descer.
Quase pirando com a falta de noção de pessoas que não deveriam existir nem nos pensamentos, quanto mais nas orações. Sim, eu oro por elas. Embora elas me façam querer vomitar todo o almoço que mal consigo colocar pra dentro. Embora eu tenha errado. Embora eu já tenha pedido perdão a quem era necessário pedir perdão. Parem minha vida porque eles precisam descer dela.
Falando em vida, ninguém quer saber da minha. Posso contar nos dedos as pessoas que realmente se importam comigo. Sim, eu disse que estava tudo estranho. Deve ser Maio. Maio é sempre um problema. Vem logo antes de Junho e Julho. Dizem que é o mês das noivas. Outros dizem que é o mês das mães. Tem muita mulher por aí casando grávida. Sonhei com isso um dia desses.
É, definitivamente: Parem o mundo que eu quero descer.
14 de maio de 2010
E o Olho cegou...
Encontrei o trabalho semana passada, perdido entre um dos muitos backups do meu antigo computador. Segue um trecho muito pertinente.
*****
Outro ponto discutido é: o que é a cegueira? A cegueira ou dificuldade para enxergar não é algo propriamente físico. Hoje existe também a perda do olhar interior, da sensibilidade geral. Um exemplo interessante é do fotógrafo cego Evgen Bavcar, que mostra na película seu processo de trabalho. “Posso vê-la com os olhos da mente”, ele afirma a respeito de uma modelo que estava fotografando. Muitos pensam que não seria capaz de ter um bom trabalho, entretanto, ele “faz as imagens” de modo a provocar reflexão em quem vê suas obras. Ele não enxerga o mundo como os outros o vêem, mas tem a sensibilidade necessária para chocar e comover os que observam suas fotografias.
A pessoa não pode “falar com a língua do outro, ver com os olhos do outro”, pois isso a transforma em um boneco. Segundo Manoel de Barros (um dos entrevistados do documentário), ”os produtos culturais precisam de um espaço para inserirmos os sonhos”. Se for algo fechado não teremos a oportunidade de trabalhar a nossa imaginação e discernimento. A alma deve sair dos olhos, que não são só passivos.
Contudo, em uma sociedade na qual prevalecem opiniões prontas e em grande quantidade, a pessoa perde o espaço crítico (já afetado pelas suas limitações naturais). Ter demais pode ser considerado não ter nada. Já diziam nossas avós, que “Quem tudo quer, tudo perde”. Um homem da Idade Média não consumia durante toda a sua vida o volume de informações que uma pessoa consome hoje, em um dia. A curiosidade vem do jornalista Leão Serva, criador do jornal Último Segundo, no portal Ig. O excesso de informações, imagens, comunicação é uma síndrome do homem pós-moderno. Na era da rapidez são poucas as pessoas que esperam de bom grado que o carro da frente saia só depois de 5 segundos que o farol ficou verde. Que dizer, então, de um carro que permanece parado, e seu motorista atônito gritando lá dentro: “Estou cego”? Tanto o livro quanto o filme nos mostram que perdemos a humanidade, somos hoje humanóides que se multiplicam nas enormes “gigalópoles”.
*****
#Reflitão.
12 de março de 2010
Descansa, coração.
Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder
Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão
Não sei
Se vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz
4 de março de 2010
Sísifo feelings
13 de dezembro de 2009
Calma!
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma
Calma na partebra
O goleiro perdeu a mesma
Sem vergonha, olha o histórico
Calma nas oficinas
Nos postos de gasolina
Principalmente nas maternidades, hospitais e escolas
Calma e silêncio na igreja
E senhora harmonia onde quer que haja calma
Olha as figurinhas
Manhas, façanhas e maranhas com muita calma
Vai com calma, você vai chegar
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão me ouvindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma
23 de outubro de 2009
Mais uma noite
21 de outubro de 2009
Frases roubadas
Não.
Nunca mais.
Você não aguentaria um dia.
Você não presta. Nunca prestou.
Você me levou pro mau caminho.
Por quê?
Pra quê?
O que você pensou?
Que inferno.
É a derrota.
-Tem um remédio pra ressaca moral aí?
-Não, mas esse aqui vai te fazer dormir.
Traz mais uma por favor?
Já faz muito tempo.
Dê tempo ao tempo.
Fica bem.

