Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamentos. Mostrar todas as postagens

6 de maio de 2013

Sou sua melhor fotógrafa

Tenho muito orgulho em dizer que sou jornalista. Tirando aquela parte toda do ego da classe ser o maior de todas as áreas profissionais, vamos pular as piadinhas e ir direto ao ponto: eu gosto do que faço.

Mas se tem uma coisa na minha profissão que nunca me esforcei muito pra aprender foi tirar fotos. Sempre gostei de simplesmente apertar o botão e ver o que saía. Errei, sim - e como! Só meu bolso soube quais as consequências dessa minha mania na época das câmeras analógicas e filmes de rolo. Só meu HD sabe hoje em dia o número imenso de fotografias inúteis que já tirei (e guardei, mesmo sabendo que eram lixo).

Diziam, nos primórdios da fotografia, que os instantâneos tinham o poder de aprisionar as almas das pessoas. Ao ver algumas fotografias eu afirmaria isso com certeza, tamanha a beleza que um quadro de milésimo de segundo pode proporcionar. Ao ver outras afirmaria com a mesma certeza, tamanho o desespero que transmitem. Quem foi que disse que todas as pessoas eram boas e que tudo seria divino, maravilhoso?

Assim como existem os catadores que passam pelas ruas com suas carroças abarrotadas de coisas que outras pessoas jogaram fora, também há os catadores virtuais. Aqueles que insistem em pegar fotos que já foram consideradas lixo e reeditá-las, mudar contraste, cortar créditos e fazer parecer que aquilo é algo novo. Não é. Palavra de quem sabe reconhecer cada clique que já disparou. E, principalmente, de quem sabe de perto o que é ruim.

Diga "xis"!

18 de fevereiro de 2013

Um bom conselho

Já diz aquele bom e velho mote, que se conselho fosse bom, não seria dado e sim vendido. Ótimo. Mas quem é que tem coragem de cobrar de um amigo? Eu não tenho.

Novidade é um negócio interessante. Ela aparece de repente e você sente uma necessidade louca e imperativa de contar logo para aqueles que merecem saber dela. Após os primeiros relatos e o choque inicial -- sim, porque toda novidade traz um choque, por menor que seja -- começam a pipocar os primeiros conselhos.

Conselho é uma coisa engraçada, porque vem logo após a novidade, num tom de proteção/preocupação, mas ao mesmo tempo com toda a felicidade (ou tristeza) que se possa dedicar a um bom companheiro. É aquela frase que algum dia talvez você até já tenha ouvido do próprio amigo, em outro contexto, em outra situação. O mais comum é que o conselho venha inclusive acompanhado de uma risadinha, na maior denúncia de que, sim, você já viu aquele filme.

Nessa onda de "faça o que eu digo, não o que eu faço" seguimos, na maior cara de pau, reafirmando aquilo que um dia já recebemos como regra inquebrável, para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Meu conselho no momento é: "Vá com calma". Calma e paciência, embora pareçam, não são a mesma coisa. Esta, eu tenho até de sobra quando quero. Aquela, nem com reza brava dá pra conseguir em certos momentos.

Sigo cantando, assoviando e desejando que o tempo amigo seja legal, porque faltarão dentes e sorrisos e músculos faciais e pernas e braços e abraços pra toda a alegria que, com calma, chegará afinal.

from http://oldposters.com.br

7 de abril de 2012

Ponto final

Era uma vez uma menina que quase nunca terminava o que começava. De simples tarefas como arrumar o quarto até relacionamentos. Esta é a história da menina que não conhecia o ponto final.

Não sei dizer como tudo começou, mas um belo dia ela resolveu começar a colocar apenas um ponto ao final do que fazia, ao invés das inconstantes vírgulas e travessões, ou das tão temidas reticências que a faziam esperar séculos para que algo tivesse seu desfecho. Um belo dia ela simplesmente se cansou.

Mas daí vieram as complicações. Ela descobriu que não era a única a deixar 15 "tarefas" rolando ao mesmo tempo. Percebeu que certas pessoas são incapazes de compreender que "sim" é sim, e "não" é não. E ponto. Alguns amigos secretamente aprovaram sua coragem, pois eles mesmos não agiam daquele modo. Outros abertamente declaravam-se contra a tal atitude, onde já se viu terminar aquilo que mal começou (mal)?

Só mesmo nesta época Saramago conseguiria fazer sucesso sem pontos finais. E a menina só foi entender isso depois de muito pensar e se desgastar.

O ponto final - seja ele gráfico ou alegórico - é importante, porra!

26 de dezembro de 2011

Conversa de travesseiros (ou "O que ler Dostoiévski pode fazer com seu subconsciente")

Tudo começou como um capricho. Dormia com dois travesseiros; coluna torta, cabeça pesada. Mesmo no verão não se privava do lençol e uma colcha. Rinite. Mesmo que dormisse como uma pedra os sonhos a levavam alto, tão alto que o vento que tomava no rosto sempre a fazia acordar com a garganta doendo. Pequenas frescuras.

Havia dias em que inventava de dormir com os pés na cabeceira da cama. "Durmo sozinha, ninguém pode me julgar", justificava-se. Levava para baixo das cobertas sempre um companheiro diferente nas madrugadas em que o sono demorava a chegar. Cony, Dostoiévski, Bukowski, Mark Knopfler e seus solos transcendentais. Passou anos desta maneira.

Em uma noite quente de Natal em que era impossível fechar a janela, decidiu usar um dos travesseiros como barricada para a brisa que invadia seu quarto. Deu tão certo que o hábito se transformou em necessidade. "E quando você se casar e tiver que dividir a cama com alguém? Como vai ser?", reclamava a mãe. "Bah!, depois penso nisso", retrucava.

Dito e feito: seu marido tinha que aguentar aquele travesseiro entre eles. Ela tentou, em vão, substituir a peça de espuma pelo lençol, mas nada a dava tranquilidade suficiente para fechar os olhos. O cônjuge sentia-se desprezado, apesar de todo o carinho que recebia nas 16 horas restantes do dia.

Não entendia seus motivos, então desenvolveu uma obsessão por aquela parede fofa. Chegou a extremos infantis, como esconder o travesseiro sobressalente ou mesmo arrancá-lo de cima do rosto de sua amada durante a noite. Nada adiantava. A falta da peça fazia com que ela acordasse imediatamente e iniciasse a mesma discussão de sempre:

"Me deixa!"
"Mas eu quero te fazer um cafuné!"

ou

"É perigoso! E se você ficar sufocada?"
"Isso nunca vai acontecer!"

O marido, resignado, ia dormir sempre antes dela. Cada um em um canto da cama king-size com colchão de quinhentas molas. Desenvolveu distúrbios de sono, roncava, mexia-se demasiadamente, falava durante a noite inteira. O travesseiro a impedia de ouvir a sinfonia da separação.

Certa vez ele levantou-se e foi espalhando todos os cobertores pela casa. Ela acordou com frio, percebeu que o esposo não estava ao seu lado, pegou um edredon no armário e voltou para a cama. "Sonambulismo, era só o que faltava!", pensou, antes de meter a cabeça embaixo do travesseiro de novo. Pela última vez.

29 de junho de 2011

Jeitos e jeitos


Sorridente. Fechado. Solitário. Orgulhoso. Carente. Brincalhão. Inteligente. Atencioso. Mandão. Carinhoso. Medroso. Curioso. Desligado. Educado. Babaca. Saudosista. Sensível. Devagar. Lerdo. Muito, mas muito lerdo. Sincero. Alto. Bonito. Sensual.

Todos (as) sempre vêm com os mesmos adjetivos. O mesmo jeito de chegar arrebentando com qualquer barreira que você tenha colocado no meio do caminho, depois que aquele (a) último (a) veio, e fez o que fez...

Todos sempre cheios de estrelinhas brilhando ao redor, sininhos tocando ao fundo, borboletas que de repente invadem seu estômago. E por mais que você goste, é sempre complicado acostumar-se com esses bichos voadores dentro de você...

Esses são dias difíceis para os sonhadores. Devia haver uma lei que proibisse certo tipo de pessoas de assistir a filmes românticos, conhecer gente nova ou mesmo sair às ruas...

Por que você me esquece e some? E se eu me interessar por alguém? E se ele de repente me ganha? Não sou nem quero ser sua dona. É que um carinho às vezes cai bem. (Na versão de Peninha, por favor!)

Isso tudo, no final, só cria textos confusos como este; pequenos fragmentos de conversas alheias (ou quase) que vêm rondando as mentes e corações nos últimos dias. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei...

29 de outubro de 2010

Depois de 20 anos na escola

AVISO: Este post não faz questão de respeitar nenhuma ordem cronológica. Se você - como eu - cresceu assistindo "De volta para o Futuro" não terá problemas para entender ;)

Agosto de 2010, minha casa. A mãe de Carol conta que a filha gostaria, mas não havia conseguido iniciar seu mestrado ainda neste ano. Carolina tem um ano a menos que eu e concluiu a faculdade em dezembro último. Eu digo a ela que é melhor mesmo esperar um pouco.

Segundo semestre de 2003, Arujá. Carol e eu éramos da turma dos CDFs do colégio, ela no primeiro e eu no segundo ano do colegial. Colecionávamos boletins em que os noves-e-meio, noves e alguns oitos conviviam com uma enxurrada de notas DEZ. (Assim mesmo, DEZ, escrito por extenso com todas as letras em caixa alta. Tem como não almejar um boletim recheado deles?) A direção achou que estimularia o interesse dos alunos se oferecesse um prêmio (R$ 100) para o melhor aluno de cada sala, e um segundo prêmio (R$ 150) para o melhor entre os melhores do Ensino Médio. Foi a primeira e única vez em que, de fato, consegui converter minha inteligência em dinheiro vivo.

Maio de 2009, Virada Cultural em SP. Procurei por quase duas horas um amigo no meio da multidão reunida na Av. São João para assistir ao show dos... (quem era mesmo?) Já estava quase desistindo quando finalmente consegui reencontrar o brasileiro que conheci alguns anos antes, nas terras d'além-mar. Ele estava de passagem pelo Brasil, para concluir seu mestrado.

Fevereiro de 2007, Coimbra. Estudantes protestam contra a mudança no sistema de ensino superior, que reduz a duração do curso em um ano e possibilita a continuidade da carreira acadêmica com relativa facilidade. O objetivo é aumentar o nível de escolaridade e facilitar o aproveitamento de créditos entre as diversas universidades europeias. Ouvi de muitos portugueses aquela máxima que vem desde antes das caravelas: "O modo de fazer é o mesmo há séculos, por que mudar agora?"

Segundo semestre de 2006, São Paulo. Eu adorava minha vida de estudante. Estagiava numa ONG e tinha grandes planos pra quando terminasse a faculdade. Dois dos meus melhores professores eram bem jovens e emendaram a graduação e a pós, o que me fez pensar em fazer o mesmo. Até que um dia um deles me perguntou se eu gostaria de ser professora...

Ontem à noite, meu quarto. Me flagrei pensando em como eu seria feliz se eu ainda fosse estudante.

Três meses atrás, Arujá. Na falta de perspectivas, lugares ao sol e Q.I.(Quem Indicasse), resolvi procurar empregos fora da minha área. Encontrei uma atividade tranquila, trabalho do lado da minha casa e tenho os alunos mais fofos do mundo. Será que encontrei mesmo o caminho certo?

Dois meses atrás, ainda no meu quarto. Queria ser doutora. Queria queimar os neurônios que ainda restam. Queria pagar pra ver se vale a pena tentar matar essa minha sede de conhecimento que não acaba nunca.

(E se o Serra virar presidente eu dou um jeito de me mandar pra Coimbra de novo, continuar os estudos lá. Será que dá?)

22 de outubro de 2010

Atualizando

Vontade de escrever ao léu. Saudade de deixar os dedos simplesmente deslizarem pelo teclado, como se não houvesse mais nada a fazer ou sentir. A janta tá descongelando em cima da pia, o cachorro latindo feito um devairado e a sexta-feira à noite vai ser mais uma como qualquer outra nos últimos tempos.

(And I need a beer.)

Se você procura um grande texto rebuscado, cheio de alegorias bonitas e piadinhas nerds, perdeu seu tempo. Vaza, amigo, que hoje o papo é introspectivo. Lembra da descrição do blog? Então...

Meu irmão finalmente conseguiu consertar a moto que tava desmontada no quintal há pelo menos três meses. Felicidade instantânea.

Continua a busca por um ingresso do Planeta Terra. Continuo revoltada por não conseguir. É...

Comprei dois livros de quadrinhos pelo Submarino. Cachalote, de Daniel Coutinho e Rafael Galera. Retalhos, de Craig Thompson. O primeiro eu li hoje mesmo, em pouco mais de duas horas. Li não, devorei. Não entendi nada. Ou talvez tenha entendido tudo. Tudo o que eu não queria. É a vida. A dos personagens, a minha, a de qualquer um.

Menina mimada que sou, foi inevitável achar que o mundo (ainda) gira ao meu redor. Péssima escolha tentar comparar a minha história a uma (ou todas) do livro.

Segundo erro: insistir na comparação, mesmo depois de perceber que os enredos (sim, são cinco) não mostram exatamente a parte mais feliz da vida. Terceiro erro: não fazer - como sempre faço - a leitura com o caderninho do lado, pra anotar frases que eu achei interessantes ou destacar trechos. Herança da faculdade, não gosto de riscar livros. Acho que vou ter que ler tudo de novo. ^_^

Quero voltar pra Paris. Quero viajar o mundo. Quero um filho. Quero encontrar uma cachalote na piscina.

Bom fim de semana.

1 de outubro de 2010

A carência nossa de cada dia

"Oi, meu nome é Sarah e não me apaixono há um mês"
Essa seria uma ótima frase pra começar o grupo de ajuda. Está aberta mais uma sessão da Associação das Pessoas que se Apaixonam Demasiadamente! (É, APAD. Pode ser...)

Meu último post foi sobre contos de fadas, príncipes encantados, desilusões e coisas assim. Eu não queria - de verdade - bater de novo na mesma tecla, mas parece que o assunto é mais recorrente do que Levy Fidélix e Eymael em horário eleitoral gratuito.

Faz algum tempo que eu tou numa vibe de aprender a ser feliz sozinha. Obviamente muitos fatores contribuíram pra essa condição, mas o principal até então era o famoso "Cansei". Cansei da babaquice alheia, da agenda apertada, da falta de atenção e da atenção excessiva. Cansei de ter que ficar pagando tudo e também de não me deixarem pagar nada. Cansei de ouvir desculpas esfarrapadas, cansei de não ouvir nem mesmo uma desculpa, cansei de ter sempre que inventar desculpas. Cansei da voz estranha, do jeito de andar e do olhar de peixe morto. Cansei da atenção de cachorrinho, das conversas pseudo-filosóficas que não levam a lugar nenhum e do ar de superioridade ao falar, como se cada "vê uma cerveja, garçom" fosse a frase inicial de um discurso.

Depois de me livrar dos encostos pude reorganizar aquilo que ficou: a boa música, os bons amigos, as boas tardes de sábado assistindo TV debaixo das cobertas... antes só do que mal acompanhada.

O problema é: tá, e agora o que eu faço com isso?

PS. Hoje foi um dia meio difícil, e a única coisa que eu queria era ganhar um abraço demorado e ouvir que tudo vai ficar bem. Toda essa independência, hoje, não tá me adiantando muito não. #Comofaz?

26 de setembro de 2010

Fairy tale

Já disse mais de uma vez que odeio contos de fadas. Minha filha (se um dia eu tiver uma menina) não vai ler contos de fadas. Ela não vai crescer esperando príncipes encantados montados em cavalos brancos (ou em motocicletas pretas, que seja). Talvez isso a poupe da inocência exagerada que por vezes estraga certas relações. (Ou não. Veremos.)

Quando eu era pequena assistia a muitos programas infantis, a maioria deles na TV Cultura. Havia um que se chamava "Contos de fadas", produção muito feliz da americana Shelley Duvall, que trazia convidados ilustres como Anjelica Huston, Robin Williams e outros. Naquela época eu nem sabia quem eram tais figuras, mas hoje foi exatamente um desses artistas que me fez assistir pela milésima vez à história da Bela Adormecida. Christopher Reeve, o eterno SuperMan (em todos os sentidos possíveis) lá estava, vestido de príncipe encantado e empunhando um machado. Tem coisa mais divertida do que descobrir que uma das suas referências nerds mais antigas vem das histórias da infância?

Convido-vos a apreciar a história. Todos os vídeos somam quase uma hora, então sugiro um pote de pipocas e uma cadeira confortável. =)

1:

"Viemos de uma terra muito distante"
"Ah, de fato temos muitos viajantes de lá"

2:

"Todos esses dons, para que servem? Crescer, apaixonar-se, viver feliz para sempre, certo? Ótimo. Besteira! Inútil! Homens, yargh! Amor, ugh! Vocês estão falando de sofrimento, dor no coração, problemas, estão me ouvindo?"

3:

"Príncipe, onde está o seu senso de humor?"
"Francamente, madame, é o seu senso de decência que me interessa."
(...)
"Fique longe das princesas. Elas sempre vão te considerar um tolo."

4:

"Não aperfeiçoe o que já é perfeito."

5:

"Cá entre nós, vamos esperar que haja um príncipe por aí com mais coragem do que juízo."

6:

"Você é meu sonho tornando-se real, ou estarei sonhando agora?"

Depois de tudo isso sobram ainda poucas palavras. Eu devia ter prestado mais atenção na Shelley Duvall do que na Disney. E estou ficando cada vez mais parecida com a fada má do segundo vídeo. E tenho medo disso.

28 de agosto de 2010

Palavras, apenas

Há aquele velho ditado que diz que para uma pessoa ser completa precisa ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro (não necessariamente nesta ordem...) Antropólogos diriam que esta é uma tentativa do indivíduo de perpetuar-se mesmo após sua morte, e discursariam a respeito de todas aquelas constatações que envolvem a tomada de consciência de que não viveremos para sempre. (Eles adoram fazer isso. Talvez porque saibam que eles mesmos não são pessoas tão perenes assim. Pobres antropólogos.)

Pois bem. A árvore pode ser arrancada por estar atrapalhando a passagem de uma nova estrada e o filho pode tomar um caminho totalmente diferente daquele que seus pais trilharam, mas as palavras não serão alteradas... jamais?

Lembrei hoje de três frases que depositei na contracapa de uma edição de bolso dos melhores contos de Edgar Allan Poe. Não importa o que foi escrito, mas veio à mente a singeleza do ato: um livro comprado na revistaria do aeroporto, uma pessoa de partida, uma outra que iria ficar. Três anos e onze meses depois não faço ideia de onde esteja este livro. Foi jogado no lixo num acesso de raiva, em uma tentativa (bem sucedida, diga-se de passagem) de machucar um coração. Não que os bons sentimentos que outrora existissem ainda estejam vivos hoje, mas o que incomoda de fato é que as lembranças também foram apagadas. Como se nunca houvessem existido.

Vejo situações semelhantes em alguns livros que habitam minha estante: palavras que não foram escritas pra mim de pessoas que eu nunca chegarei a conhecer. Tudo que foi parar nos sebos da vida, resgatado por cinco ou dez reais de cada vez. Declarações de amor, de amizade, anotações feitas a lápis; à caneta azul, vermelha, preta. Manchas de óleo, marca-texto pra iluminar as ideias e pedaços de papel marcando páginas que não fazem sentido pra mais ninguém.

Por outro lado lembrei também de um outro livro, uma outra edição de contos de Poe que eu tinha há quase 10 anos e que está hoje perdida. Digo perdida porque foi emprestada a alguém que nunca mais vi. Quem sabe um dia o destino se encarregue de me devolver o exemplar rabiscado, com um poemeto ridículo digno de uma menina de 14 anos sem muita vontade de concluir a leitura. Mais uma vez, não pelo que ali está, mas pelo que algum dia aquilo representou.

Seria interessante poder reciclar palavras, como se reciclam livros...

21 de junho de 2010

Entrega

Ultimamente está na moda aconselhar as pessoas com uma frase um pouco absurda, que parece a receita mágica que vai resolver tudo: "Se joga, amiga!"

A gente fala isso pra aquele amigo que tem dúvidas se muda ou não de emprego, pra aquela vizinha que morre de amores pelo carinha da faculdade, pra aquela prima que não sabe se casa ou compra uma bicicleta. A resposta padrão para a grande questão da humanidade ("Vou ou não vou?") hoje em dia é simples: Vai lá, bota a cara, segue em frente!



Admiro muito as pessoas que têm coragem de seguir seus instintos, suas intuições ou mesmo os desejos de seu coração. Admiro porque também sou assim. É extasiante lutar por algo em que se acredita, mesmo que aos olhos do resto do mundo pareça loucura.

Foi assim que atravessei meio mundo. Foi assim que fiz uma faculdade cujo diploma não vale mais nada. Foi assim que acreditei que conseguiria fazer tudo dar certo. Foi assim que abandonei aquilo que me matava.

Estas são palavras de alguém que já se machucou muito. De quem sabe que a vida não é um mar de rosas, mas também tem certeza de que não se vive (feliz) só com os espinhos. Sei que já fiz muito #mimimi com as quedas que tomei, e prometi a mim mesma parar com essa hipocrisia. Não consigo mudar, não consigo me entregar menos. Consigo, no entanto, poupar o mundo das lamúrias repetitivas que nadas constroem.

Eis que mais uma vez é a hora da entrega. Não só pra esta garota crescida que está acordada de madrugada escrevendo um texto e ouvindo Beatles. Outros à minha volta também estão neste momento acordados, pensando em suas próprias decisões. E sabem que precisam ser extremistas, senão nada do que foi planejado funcionará.

Que me desculpem os mais covardes, mas a entrega é essencial.

(O rascunho deste texto surgiu há exatos três meses e meio. Não que esse tempo tenha mudado meu pensamento. Continuo "me jogando", e me entregando a tudo o que faço. Tombos todo mundo leva, e os meus não são nada pequenos, mas... de que outro jeito é possível ganhar se a aposta não for alta?)

17 de junho de 2010

Escudo ou espada?

Um fantasma uma vez me ensinou que a arma mais eficaz para vencer uma discussão com alguém era a verdade. Dizer a verdade certeira na hora mais inconveniente seria, segundo ele, o melhor ataque. Pegar a pessoa desprevenida com algum fato que ela não poderia refutar. Ou até poderia, mas não sem perder muito tempo pensando em alguma resposta que de algum modo distorcesse a realidade. Estamos tão acostumados a mentir uns para os outros que a verdade foi convertida em arma. Parabéns, mundo cruel.

Durante algum tempo guardei este "conselho" comigo, mas não fui capaz de usá-lo. Em duas ocasiões, contra duas pessoas diferentes, achei que simplesmente não valia a pena. Não que eu tenha mentido para elas. Disse toda a verdade. Mas Aquela verdade, a Matadora, que me ensinaram a despejar como um caldeirão de óleo quente na cabeça do outro, essa não consegui dizer.

De fato, a verdade dói. Machuca o confronto com nossos defeitos, nossos erros todos. Machuca mais ainda quando isso vem da boca de outra pessoa que - não raro - levamos em alta consideração. Por ter estado do outro lado, ou por simplesmente ter o coração de manteiga, não tive coragem de jogar na cara alheia tudo aquilo que pensei. Tudo aquilo que todo mundo sabe que é verdade.

Errei? Talvez. Prefiro pensar que não. Afinal, existem tantas "verdades" convivendo por aí hoje em dia, né?

16 de junho de 2010

Far far away


Mania que eu tenho de me apegar a pessoas inalcançáveis.

Quanto mais longe, melhor. Pode ser outro estado, outro país, outra religião, outra filosofia, outra classe social. (Não que eu me importe muito com isso, mas qualquer um que já tenha enfrentado alguma destas diferenças sabe que esses fatores influenciam qualquer decisão.)

Quanto mais longe maior a fantasia. Maior a saudade, maiores os desejos de estreitar laços, maior a cumplicidade e a sinceridade. "Tou saindo pra me divertir, mas tou pensando em você". Claro. O pensamento já basta. Do que mais pode se alimentar um sonho?

"Longe" é uma medida demasiado pequena para a subjetividade.

25 de maio de 2010

Sobre toalhas e calendários

"Parem o mundo que eu quero descer" (Silvio Brito)

Os dias têm sido meio estranhos ultimamente. Acho que é o inverno chegando. Acho que é a posição da Lua. Acho que é a minha posição.

Dizem que de 2012 não passaremos. Eu já não sei de mais nada. Sei apenas que hoje, 25 de maio, foi o dia da toalha e que contei pelo menos 15 pessoas olhando torto pra mim no metrô. Só porque eu estava com uma toalha nos ombros? E depois dizem que nas grandes cidades como São Paulo as pessoas não reparam umas nas outras. Tinha bastante gente reparando numa maluca portando uma toalha e pronta pra pedir carona em qualquer espaçonave que passasse. Até os Vogons seriam mais cordiais. Parem o mundo que eu quero descer.

Site a todo vapor, campeonato brasileiro bombando, noites maldormidas. Morar longe, viajar todo dia, sonhar com as viagens que quero fazer. Trânsito lento, trânsito devagar-quase-parando e trânsito impossível. Parem o mundo que eu quero descer.

Quase pirando com a falta de noção de pessoas que não deveriam existir nem nos pensamentos, quanto mais nas orações. Sim, eu oro por elas. Embora elas me façam querer vomitar todo o almoço que mal consigo colocar pra dentro. Embora eu tenha errado. Embora eu já tenha pedido perdão a quem era necessário pedir perdão. Parem minha vida porque eles precisam descer dela.

Falando em vida, ninguém quer saber da minha. Posso contar nos dedos as pessoas que realmente se importam comigo. Sim, eu disse que estava tudo estranho. Deve ser Maio. Maio é sempre um problema. Vem logo antes de Junho e Julho. Dizem que é o mês das noivas. Outros dizem que é o mês das mães. Tem muita mulher por aí casando grávida. Sonhei com isso um dia desses.

É, definitivamente: Parem o mundo que eu quero descer.

14 de maio de 2010

E o Olho cegou...

Título absurdo pra um trabalho absurdo que fiz junto com uma amiga em 2006: Traçar um paralelo entre o (ótimo) documentário "Janela da Alma" e o livro "Ensaio sobre a cegueira". Tarefa difícil pra alguém cuja visão de mundo se limitava ao eixo São Paulo-Arujá, mais precisamente o trajeto casa-faculdade-casa.

Encontrei o trabalho semana passada, perdido entre um dos muitos backups do meu antigo computador. Segue um trecho muito pertinente.

*****

Outro ponto discutido é: o que é a cegueira? A cegueira ou dificuldade para enxergar não é algo propriamente físico. Hoje existe também a perda do olhar interior, da sensibilidade geral. Um exemplo interessante é do fotógrafo cego Evgen Bavcar, que mostra na película seu processo de trabalho. “Posso vê-la com os olhos da mente”, ele afirma a respeito de uma modelo que estava fotografando. Muitos pensam que não seria capaz de ter um bom trabalho, entretanto, ele “faz as imagens” de modo a provocar reflexão em quem vê suas obras. Ele não enxerga o mundo como os outros o vêem, mas tem a sensibilidade necessária para chocar e comover os que observam suas fotografias.


A pessoa não pode “falar com a língua do outro, ver com os olhos do outro”, pois isso a transforma em um boneco. Segundo Manoel de Barros (um dos entrevistados do documentário), ”os produtos culturais precisam de um espaço para inserirmos os sonhos”. Se for algo fechado não teremos a oportunidade de trabalhar a nossa imaginação e discernimento. A alma deve sair dos olhos, que não são só passivos.


Contudo, em uma sociedade na qual prevalecem opiniões prontas e em grande quantidade, a pessoa perde o espaço crítico (já afetado pelas suas limitações naturais). Ter demais pode ser considerado não ter nada. Já diziam nossas avós, que “Quem tudo quer, tudo perde”. Um homem da Idade Média não consumia durante toda a sua vida o volume de informações que uma pessoa consome hoje, em um dia. A curiosidade vem do jornalista Leão Serva, criador do jornal Último Segundo, no portal Ig. O excesso de informações, imagens, comunicação é uma síndrome do homem pós-moderno. Na era da rapidez são poucas as pessoas que esperam de bom grado que o carro da frente saia só depois de 5 segundos que o farol ficou verde. Que dizer, então, de um carro que permanece parado, e seu motorista atônito gritando lá dentro: “Estou cego”? Tanto o livro quanto o filme nos mostram que perdemos a humanidade, somos hoje humanóides que se multiplicam nas enormes “gigalópoles”.


*****

#Reflitão.

12 de março de 2010

Descansa, coração.



Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão

Não sei pra onde vou
Não sei
Se vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz

4 de março de 2010

Sísifo feelings




Sabe a pedra? Rolou lá pra baixo...

E eu não tou com a mínima vontade de descer pra pegar.

Mas vamos a isso. Volta o cão arrependido pra buscar o que é seu.

Afinal de contas, não resta muito mais do que ler, ouvir, cantar, beber, dormir e - às vezes - amar.

13 de dezembro de 2009

Calma!

(não, não tá tudo bem agora, mas vai ficar. Enquanto isso, uma música de Di Melo pra passar o tempo.)

A vida em seus métodos diz calma
Vai com calma, você vai chegar
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar

Deus, pai criado, criou com calma
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Pois até hoje sem ter calma desencontro paga
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Cal, cal, cal, cal
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma

Eu falei
Calma na partebra
O goleiro perdeu a mesma
Sem vergonha, olha o histórico

Também falei
Calma nas oficinas
Nos postos de gasolina
Principalmente nas maternidades, hospitais e escolas

Também falei
Calma e silêncio na igreja
E senhora harmonia onde quer que haja calma
Olha as figurinhas
Manhas, façanhas e maranhas com muita calma

A vida em seus métodos diz calma
Vai com calma, você vai chegar
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar

Deus, pai criado, criou com calma
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Pois até hoje sem ter calma desencontro paga
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão me ouvindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Cal, cal, cal, cal
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma

23 de outubro de 2009

Mais uma noite

Escrito na madrugada de ontem.

(00h08) Passei meia hora me olhando no espelho. Comecei como quem não tem mais nada útil pra fazer, cuidando das espinhas e arrumando a sobrancelha; mas depois comecei a reparar em mim mesma. Olhei de lado, olhei de cima, olhei de baixo. E não vi mais nada.

Não vi mais aquela criança que adorava assistir desenho na TV e andar de patins, mesmo que isso a deixasse com enormes bolhas nos pés chatos. Não vi mais aquela adolescente mimada, que gostava de espiar de longe os meninos da escola dela quando jogavam futebol e ficavam se exibindo pras menininhas. Não vi mais aquela mulher que ainda não está pronta, que mal sabe das coisas do mundo mas insiste em fingir saber, só pra que não a façam de tonta.

Não vi mais do que uma adolescente ainda criança, assustada com a possibilidade de ter que virar mulher antes do planejado. Não vi mais do que uma moça desiludida da vida, lutando pra que ela ainda tenha alguma cor, algum sentido, algum fim. Não vi mais do que olhos castanhos (como os de toda a gente) deixando escorrer uma lágrima que não deveria estar ali. Não vi mais do que cabelos vermelhos molhados, que ao secar fazem caracóis bonitos mas quanto mais ela se esforça por cuidar mais lisos e disformes eles ficam.

Não vi dentro dos olhos dela nenhuma luz que pudesse sair. Havia uma lanterninha fraca, quase sem pilha, acesa lá no fundo. E um coração apertado, quase escondido, meio caído, meio dormindo. Foi isso o que eu vi, e me assustei, e chorei, e saí correndo da frente do espelho, por não querer ver mais nada. (00h38)

21 de outubro de 2009

Frases roubadas

Duas semanas de noites insones e mente culpada (e ocupada) demais. Ouvi demais, falei de menos e tive que trilhar de novo alguns caminhos que eu achava que já haviam ficado pra trás. É a Vida? Definitivamente não a que eu escolheria, se tivesse essa oportunidade. Então estas são apenas partes do que aconteceu e ainda acontece por aí:

Você é novinha demais pra entender.

Não é bem assim.

Sim.
Não.
Nunca mais.

Você não aguentaria um dia.

Não duvide de uma ruiva.

A culpa é sua.
A culpa não é sua.
A culpa é minha.

Você não presta. Nunca prestou.

Você me levou pro mau caminho.

Por quê?
Pra quê?
O que você pensou?

Que inferno.

É a derrota.

-Tem um remédio pra ressaca moral aí?
-Não, mas esse aqui vai te fazer dormir.

Traz mais uma por favor?

Queria voltar no tempo.
Já faz muito tempo.
Faz tanto tempo!
Dê tempo ao tempo.

Fica bem.
Powered By Blogger