10 de maio de 2011

A dama e o vagabundo

Você é certinha demais pra mim. Ou talvez eu é que seja largado demais pra você.

Você se arruma toda, pinta as unhas de vermelho, passa batom e finge que me engana dizendo que só faz isso porque está com os lábios rachados de frio. Sei bem o frio que eu sinto quando você me olha daquele jeito fundo, procurando ver lá dentro algo que está estampado na minha testa faz tempo.

Você ri de um jeito tão sincero que eu até me envergonho do meu riso amarelo com borrachinhas verdes. Principalmente depois que você, corinthiana roxa, já disse que não gosta de verde. Eu sei que não foi pra mim, mas até a próxima visita ao dentista eu juro que não abro um sorriso pra você!

Você tem aquela mania besta - que eu adoro - de ficar cantarolando baixinho qualquer música que esteja grudada na sua cabeça. E que repertório! De Beatles a Falcão, nada escapa. Quando não conheço eu faço cara de paisagem porque sei que você vai me dizer quem, de onde, de quando, qual o estilo e o melhor cd pra eu ouvir. Quando eu já conheço até tento cantar junto, só por dentro, mas o nosso dueto ainda precisa de muitos ensaios pra uma apresentação digna.

Você finge que não se importa quando eu não te dou atenção, mas depois fica arranjando qualquer desculpa pra falar comigo. Eu evito de propósito, e não pense que dói menos em mim cada vez que eu sumo sem dar explicação.

Isso porque eu sou esse bicho desengonçado que veste sempre a mesma camiseta surrada dos Ramones e ainda gosta de assistir Simpsons. Que não faz nada direito e morre de medo de realmente nada dar certo no fim das contas. Eu sou apenas um rapaz latino americano com alguns trocados no bolso e vontade de te levar pra bem longe daqui. Você iria?

(Lúcio Paulo - 10/05/2011)

21 de abril de 2011

O meu pé de Laranja Amarga

Sei que quase ninguém leva a sério este blog - começando pela própria dona. Mas aqui vai uma ótima dica de leitura pra este feriado-mais-do-que-prolongado que se inicia hoje:

"O meu pé de Laranja Lima" foi publicado em 1968 por José Mauro de Vasconcelos. Já virou filme, novela, foi adaptado em várias línguas e até em quadrinhos na Coréia. Mas o que tem de tão interessante um livro de cento e tantas páginas pra fazer esse sucesso todo?

Zezé é um menino pobre que tem 5 anos e uma penca de irmãos. Ele é muito esperto, aprende mil coisas com seu tio e adora aprontar com os vizinhos. Apesar da pouca idade já entende de "problemas de adultos" como falta de dinheiro e de afeto. Ele "ganha" uma laranjeira quando sua família muda de casa, e sua imaginação transforma a pequena planta em seu confidente e companheiro de aventuras. Carente demais, Zezé acaba conquistando a amizade do sr. Manoel "Portuga" Valadares, um senhor solitário que se afeiçoa ao pequeno e à sua história sofrida. Acontece uma coisa muito triste mas eu não vou contar porque isso aqui não é lugar de spoiler.

Li este livro pela primeira vez em 20/06/2001 por obrigação escolar. Chorei muito ao final e fiquei morrendo de vergonha de admitir isso. Como podia uma história simples como essa me arrancar lágrimas, em um ano que trouxe pra minha lista literária livros bem mais tristes (e reais) como Olga e os diários de Anne Frank e Zlata? Enterrei o livro no fundo do armário, junto com os meus próprios diários.

Mudanças de moradia e de mente vieram. O livro, uma edição de bolso de 1968, me acompanhou fechado durante esse tempo. Até o último sábado.

Eu já estava de saída quando olhei pra estante. Dom Quixote sorria pra mim, com suas 500 páginas de moinhos de vento, esperando que eu o colocasse na bolsa e o levasse pra mais uma longa viagem de ônibus. Por que não experimentar um livro mais leve? Peguei o menor livro, 16x10,5 cm. Lá fui eu pra Virada Cultural na companhia de Zezé com suas bolinhas de gude e figurinhas de artistas no bolso. Meu desafio era reler a obra sem derramar uma só lágrima e, de quebra, descobrir o que é que tinha me feito chorar tanto na primeira vez.

Missão quase cumprida, terminei de ler ontem; e foi inevitável. É uma história amarga. Se chorar por causa de um livro aos 13 anos é vexatório, que dirá aos 23?

15 de março de 2011

Papibaquígrafo (ou "Como complicar o que é simples")

Minha prima casou. Depois de 10 anos de namoro, alegrias, tristezas, rotina. Mas todos sabem que o melhor disso tudo é a reunião da família, certo? [#not!]

A avó, toda melosa, antecipando a saudade. As tias reunidas à volta da mesa, trocando reminiscências de seus próprios casamentos. As primas pensando: "Quando for a minha vez eu não quero essa zona, não!"

Daí vem a chuva de perguntas como "Você não tá namorando?" e "Qual dos sobrinhos vai ser o próximo?". Mas a pior de todas é a réplica: "Quantos anos vc tem?" -[resposta] "Já tá na hora, hein?" O.o

Daí vêm os cálculos, porque para seguir a ordem cronológica ainda preciso que 3 primos se amarrem pra realmente começar a pirar com isso. Daí vem a calma, afinal eu ainda tenho alguns passos a cumprir.

Desisto, pela centésima vez na vida, desisto. O amor que me encontre. Com ou sem exército de tias perguntadeiras. Com ou sem "Stairway to heaven" tocando na igreja. E principalmente: sem a minha ajuda que só atrapalha.

*UPDATE* Hahahaha. Essa aqui já aprendeu cedo: "Fine! I'll find a different man" ;P

2 de março de 2011

Afasta de mim esse cálice

Se existe um nome mais perfeito pra mim do que Sarah Kelly, deve ser Pandora. É...

Diz pra mim
se vale a pena, amor
A gente ria tanto desses nossos desencontros
Mas você passou do ponto
e agora eu já não sei mais...

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