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16 de março de 2013

O quinto sábado

(from Jay Vaquer's album "Umbigobunker")
... só um mês? Mais parece um século!

Cá estou eu, no quinto sábado desde que o mundo virou de ponta-cabeça, só pra te escrever algumas linhas e expor minha alegria pra parede. Sim, porque esse blog é que nem aquela parede onde a gente anota frases de música, cola o pôster do filme favorito e escreve um palavrão de vez em quando, só pra contrariar a ordem vigente.
Ordem vigente.
Aquela que acontecia até o dia em que eu quis te conhecer. E convidei. E você aceitou. Até aquele dia em que a gente se encontrou pela primeira vez e eu soube que era você. Mas tive que esperar até o fim do dia pra ter certeza, mesmo.
Certeza.
Aquele arrepio que a gente sente, bem lá no fundo da alma, dizendo que alguma coisa está inevitavelmente e indelevelmente sendo construída. Aquele friozinho na barriga que dá quando você me diz que quer estar comigo. Eu também quero, eu também gosto, eu também não me importo com o resto do mundo e o que quer que aconteça.
E o que vai acontecer?
Só Deus sabe.
Tal qual uma exilada de um país distante, sigo com essa saudade que aumenta a cada vez que minhas mãos precisam deixar as tuas, meus braços precisam te largar e os pés andam na direção contrária à que o meu pensamento ordena.
Ordem?
Não existe mais ordem que tire você dos meus pensamentos, o sorriso da minha boca e a sua voz dos meus ouvidos. Já nomeei teus braços minha fortaleza, teu peito meu travesseiro e tudo o que você me traz de bom como espólio de guerra. Nada mais justo, já que você levou embora meu coração e aquele vazio que insistia em dar sinais de vida às vezes.

Obrigada por ter bagunçado a minha vida. Te amo.

15 de março de 2011

Papibaquígrafo (ou "Como complicar o que é simples")

Minha prima casou. Depois de 10 anos de namoro, alegrias, tristezas, rotina. Mas todos sabem que o melhor disso tudo é a reunião da família, certo? [#not!]

A avó, toda melosa, antecipando a saudade. As tias reunidas à volta da mesa, trocando reminiscências de seus próprios casamentos. As primas pensando: "Quando for a minha vez eu não quero essa zona, não!"

Daí vem a chuva de perguntas como "Você não tá namorando?" e "Qual dos sobrinhos vai ser o próximo?". Mas a pior de todas é a réplica: "Quantos anos vc tem?" -[resposta] "Já tá na hora, hein?" O.o

Daí vêm os cálculos, porque para seguir a ordem cronológica ainda preciso que 3 primos se amarrem pra realmente começar a pirar com isso. Daí vem a calma, afinal eu ainda tenho alguns passos a cumprir.

Desisto, pela centésima vez na vida, desisto. O amor que me encontre. Com ou sem exército de tias perguntadeiras. Com ou sem "Stairway to heaven" tocando na igreja. E principalmente: sem a minha ajuda que só atrapalha.

*UPDATE* Hahahaha. Essa aqui já aprendeu cedo: "Fine! I'll find a different man" ;P

4 de fevereiro de 2011

Minha primeira vez


Já tive primeiras vezes em muitas coisas, mas a dessa vez é inédita: fui convidada pra discotecar na DJ Club, hoje, junto com a MariMari.

Convido a todos pra ouvir o bom e velho (ou nem tanto) rrrrrroquenrou.

DJ Club: Alameda Franca, 241 - Jardins

See ya!

25 de novembro de 2010

The sounds of silence

Este é o quinto dia em que tento escrever alguma coisa pra que alguém - ou ninguém, como sempre - leia. Quero contar dos shows maravilhosos que vi, das besteirinhas tão símplices que soube que fizeram alguém feliz lá longe, de tudo o que me vem passando pela cabeça nesses cinco dias em que a rotina fez questão de se impor, quase como que avisando: "pode pisar nas nuvens pelo tempo que for, porque de mim você não foge!"

"De hoje não passa", pensei. Queria escrever um texto genial, falando de como burlei a segurança e entrei no festival com um perigosíssimo pacote de salgadinho de soja escondido. Ou de como passei o sábado todo à base de uma batata assada e meia, algumas cervejas e um punhado de biscoitos tipo "sembei" com gergelim. Queria dizer que nunca na vida tive tanto medo de um barco viking, eu que achei que já estivesse grandinha demais pra isso.

Achei que fosse essencial falar da companhia, já que amigos tanto próximos quanto distantes estavam lá. Imaginei como seria legal se a Tânia, por exemplo, lesse isso aqui e lembrasse que, sem querer, ela passou do meu lado no show dos Novos Paulistas. Pra que marcar encontros quando o Acaso já se preocupa com isso? E quando o acaso não basta, nada que uma foto não possa trazer os amigos que estão lá nas terras do Norte pra assistir aos shows conosco:


Pensei tambem em contar do friozinho na barriga que senti quando ouvi os primeiros agudos do Mika dominando aquele palco imenso. Do quanto eu pulei ao som de músicas que ouço há quase quatro anos. Do quanto eu lembrei de coisas que já não existem mais, enquanto ele pedia "A little bit of love, little bit of love..." Fui forte, as lágrimas - de saudade, tristeza ou arrependimento - não vieram. Também não poderiam, era dia de festa.

Festa da Dani, um dos presentes que Deus colocou na minha vida e falou "Toma conta que essa aqui é peça rara". Pra que gastar dinheiro com algum presente qualquer quando se pode ver os olhos da sua amiga brilhando, porque ela está a poucos metros do cara que embalou muitos momentos da vida dela? Não tem dinheiro que pague isso, nem escassez de ingressos que te impeça de importar um diretamente de Campinas ;)

Não podia omitir o fato de ter conhecido o Wagner e de ter aproveitado o show do Pavement em ótima companhia. Eu prometi que não ia atrapalhar, que ia ficar bem quietinha, e acho que cumpri direitinho =) Isso porque também não posso esquecer a cereja do bolo, ter sido praticamente expulsa do Playcenter com um "Vai pra casa, são-paulino" que eu tenho certeza que foi pra ele. No meu time, não!

Escreveria sobre a organização muito boa, sobre a cerveja aguada, quente e cara, sobre todas as forças que se foram enquanto eu pulava, gritava e me amassava no meio de tanta gente. Eu faria disso uma tentativa de esgotar todas as lembranças em palavras, para que esse loop eterno finalmente saísse da minha cabeça. É realmente constrangedor ser flagrada por um aluno enquanto você canta baixinho "Fun for an hour till the hour's gone | Can one trick night feed fourty days?"

18 de julho de 2010

Jornalistas

"Vamos, vai?"
"Chama a Dani também"
"Ela disse que não sai de casa por nada no mundo, com esse frio"
"Hum..."

Alguns minutos depois: "Ah, não vou"

Meia hora depois: "Eu vou sim! Te encontro no Trianon!"

(Ah quem dera todas as noites de sexta feira fossem simples de programar!)
***

"Sarah Kelly! Você veio!"
***

"Cara, a classe toda tá aqui! Tem mais gente aqui do que costumava ter nas aulas!"
***

"Vem cá, deixa eu te apresentar minha esposa!"
***

"Tou solteiro há dois anos. Solteiro, sim; sozinho, nunca!"
***

"Tá trabalhando?"
"Não, vou fazer outra faculdade e mudar de profissão"
***

"Lembra daquele dia? ..."
***

"Todos esses são jornalistas?"
***

Reencontro da turma da faculdade. Algum tempo pra rever os mesmos rostos, conversar sobre os rumos que a vida tomou (ou não) e atualizar os abraços - antes diários - da turma.

Posso falar? Foi muito bom. Mesmo com as piadinhas infames que eu preferia que tivessem ficado em 2006. Mesmo com o frio invernal que resolveu se instalar na cidade que não dorme e desmotivar o comparecimento de algumas pessoas. Apesar de tudo a gente ainda sabe se divertir.

Deu saudade, confesso. Mas se fosse pra voltar e fazer de novo, gostaria de poder escolher a mesma turma, de novo. Mil acasos nos colocaram juntos, mas a certeza é que sem eles não teria - como de fato não teve - a mesma graça.

13 de dezembro de 2009

Calma!

(não, não tá tudo bem agora, mas vai ficar. Enquanto isso, uma música de Di Melo pra passar o tempo.)

A vida em seus métodos diz calma
Vai com calma, você vai chegar
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar

Deus, pai criado, criou com calma
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Pois até hoje sem ter calma desencontro paga
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Cal, cal, cal, cal
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma

Eu falei
Calma na partebra
O goleiro perdeu a mesma
Sem vergonha, olha o histórico

Também falei
Calma nas oficinas
Nos postos de gasolina
Principalmente nas maternidades, hospitais e escolas

Também falei
Calma e silêncio na igreja
E senhora harmonia onde quer que haja calma
Olha as figurinhas
Manhas, façanhas e maranhas com muita calma

A vida em seus métodos diz calma
Vai com calma, você vai chegar
Se existe desespero é contra a calma
E sem ter calma nada você vai encontrar

Deus, pai criado, criou com calma
E em sete dias muita calma demonstrou
Vocês, aí, tão discutindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Pois até hoje sem ter calma desencontro paga
No corre-corre, no desespero, nego até se mata
Vocês, aí, tão me ouvindo, tenham calma
Faça só um sorriso, ele é de aviso, tenha calma!

Cal, cal, cal, cal
Calma, calma, calma, calma
Calma, calma, calma, calma

8 de novembro de 2009

Da nobre arte de aproveitar o momento

O fim de semana já era uma crônica de morte anunciada há tempos. Morte, neste caso, de alegria. Disse ontem e repito: se eu morresse hoje morreria feliz. Por uma infinidade de motivos e acontecimentos que só ocorrem assim, cadenciados, quando Deus (ou o Universo, ou aquela "força superior", ou o que quiser chamar) mexe os pauzinhos dEle e parece que diz: "Vai lá, minha filha, você não merece mas Eu quero te dar esse presente".

Show do Bresser na sexta feira no Largo de Santa Cecília. Contratempos à parte (e não foram poucos), foi uma grande apresentação. Os meninos têm raça, e capacidade de fazer boa música mesmo em condições adversas. Sem amplificadores decentes, sem backing vocal, sem vergonha e sem medo, mostraram que conseguem agitar e conquistar o público com um repertório de 90% de músicas próprias. Como diz o Mariel, baterista, existe uma diferença enorme entre viver para a música e viver de música.

Sábado de sol, promessa de um festival "aos modos europeus" perto do Jockey Clube. Nem os atrasos, nem os desencontros, nem a péssima organização que antecipou todos os shows, nada disso estragou. Nem a chuva que chegou minutos antes que o Faith No More subisse ao palco atrapalhou. Pelo contrário, foi lindo ver Mike Patton fazendo sua entrada de guarda chuva e o já clássico terno vinho.

Gritei, pulei, me molhei, viajei. Perfeito.

Depois do show nada melhor do que matar a fome numa das únicas lanchonetes 24h do Centro: Estadão. Histórias, mais cerveja (Cerpa, cerveja de responsa) e o tradicional sanduíche de pernil (gigante) que faz a casa ser tão famosa mesmo sem investir um centavo em propaganda.

Fechar um bar no Largo do Arouche nunca foi algo que passasse com facilidade na minha cabeça. Fechar DOIS bares na mesma noite, então? Impossível. (Destaque pra quantidade absurda de casais gays. Me senti quase deslocada sendo hetero e "invadindo" o espaço deles.)

Amanhecer na estação da Luz e conhecer o mano Anderson foi a cereja que faltava em cima do bolo. Fotos? Quase nenhuma. Mas a memória sabe bem o que guardar.

4 de outubro de 2009

Pois acabou, não vou rimar coisa nenhuma, agora vai como sair.

Domingos à noite são péssimos momentos pra experimentar tédio, solidão ou carência. Quando todos vêm juntos é o fim do mundo. Ladies and gentlemen, welcome to my personal apocalipse!

Quero escrever tudo o que está na minha cabeça mas estou sem palavras, seja em qual idioma vierem. Geralmente eu uso inglês pra isso, parece que a dor flui mais fácil na língua da Rainha, mas afinal de contas eu sou apenas uma princesa que luta por algum espaço neste mundo que não acredita mais em contos de fadas. Ou poderia usar castellano, a língua sexy e proibida, com todas as palavras lascivas que uma pessoa carente deseja tornar realidade.

Tudo o que eu queria dizer já foi dito, e não me sinto muito à vontade pra simplesmente copiar e colar tudo aquilo.

And I can't be holding on to what you got
When all you got is hurt.

Dói, ninguém nunca disse que seria fácil, mas tá sendo mais difícil do que eu gostaria. E quem me conhece sabe que eu não ligo pra dor. A dor interna, óbvio. De dores físicas já me bastam aquelas que infelizmente não posso evitar. Dói, mas passa. Dói, mas dói de um jeito bom. Me faz sentir viva, respirando. Faz pensar em cada gesto e planejar cada passo. Faz perder a direção, o sentido e a noção das coisas. Faz acelerar o coração e o sangue fluir por todo o corpo. Dá vertigem, calafrio. Dá febre.

Queria também testar alguns limites. Chegar ao topo, ou ir a fundo. Andar em brasas, pisar em ovos, fazer loucuras e ter algo para esconder dos meus filhos e confessar aos meus netos. "Eu quero mais uma dose desse veneno", seja ele qual for.

Don't cover up the road to love
With words that can't express
The truth implies you're high and dry
And you're a long way from happiness

É isso, eu acho.

26 de julho de 2009

Conversas aos pedaços

Seguem fragmentos de conversas que aconteceram no último fim de semana. Não direi se são minhas ou não. Não importa de quem partiram ou para quem foram estas palavras. Importa apenas tentar imaginar toda a cena. Enjoy it!

"Será que não é aquela rua ali?"
"Não, aquela é a Padre João ____."
"Mas você tá enxergando o nome na placa?"
"Claro que sim, você não?"
"Eu sou míope. Ainda mais à noite, não vejo nada!"
"É, já que os pulmões não funcionam bem, os olhos sim. Alguma coisa tem que funcionar."
"Tá, mas e no meu caso? Nem os olhos nem os pulmões funcionam bem."
"Você é inteligente..."
"Justo."
__*_*__

Um senhor na rodoviária: "Vai viajar pra onde, menina?"
Eu: "Lugar nenhum, tou esperando um amigo"
Ele: "Ahh tá."
Dois minutos depois, ele: "Bem, então até mais, menina, boa viagem!"
__*_*__

"E seu filho, tá com quantos anos?"
"Dois."
"Deve estar lindo."
"Sim. E esperto, fala um monte de coisas."
"Deve ser bom ter um filho, né?"
"Quando eu vou buscá-lo na escolinha, só de vê-lo correr gritando Papai já me faz esquecer o resto do mundo."
__*_*__

"Quero te ver mais."
"Eu também."
"Tá, como resolvemos isso então?"
"Namora comigo."
"Não."
"Não?"
"Não, daqui a um mês você vai me dar um pé na bunda, não quero."
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