Todos temos um sexto sentido. Chame de "sentido de aranha" se quiser, mas admita que sempre que alguma coisa importante é iminente o corpo agita-se todo, a cabeça não consegue manter o foco e o coração grita por socorro. "Mas, afinal, o que é que está acontecendo comigo?"
Há aqueles que gostem de compartilhar essas sensações com os amigos. Contam histórias, fazem projeções, aguardam ansiosamente pelas reviravoltas que o Grande Autor virá a inserir na história de suas vidas. Outros simplesmente guardam segredo, inventam que comeram algo que não fez bem e por isso estão com essa cara estranha. Mas por dentro sempre esperam que algo venha a acontecer. E que venha logo!
Já que 2012 começou muito bem, não vou reclamar de nada. Nada! Mas, ah, que friozinho na barriga...
PS: Caloura, again!
PS2: Só falta aquele último detalhe
Pra acompanhar a leitura: homenagem singela e despretensiosa à voz que silenciou 30 anos atrás. "Meus discos, meus livros. E nada mais"
Sarah Kelly escreve neste blogue quando lhe é permitido. Ela quer que as pessoas ouçam o que ela tem a dizer, mesmo que muitas vezes tudo só faça sentido para ela mesma.
19 de janeiro de 2012
26 de dezembro de 2011
Conversa de travesseiros (ou "O que ler Dostoiévski pode fazer com seu subconsciente")
Tudo começou como um capricho. Dormia com dois travesseiros; coluna torta, cabeça pesada. Mesmo no verão não se privava do lençol e uma colcha. Rinite. Mesmo que dormisse como uma pedra os sonhos a levavam alto, tão alto que o vento que tomava no rosto sempre a fazia acordar com a garganta doendo. Pequenas frescuras.
Havia dias em que inventava de dormir com os pés na cabeceira da cama. "Durmo sozinha, ninguém pode me julgar", justificava-se. Levava para baixo das cobertas sempre um companheiro diferente nas madrugadas em que o sono demorava a chegar. Cony, Dostoiévski, Bukowski, Mark Knopfler e seus solos transcendentais. Passou anos desta maneira.
Em uma noite quente de Natal em que era impossível fechar a janela, decidiu usar um dos travesseiros como barricada para a brisa que invadia seu quarto. Deu tão certo que o hábito se transformou em necessidade. "E quando você se casar e tiver que dividir a cama com alguém? Como vai ser?", reclamava a mãe. "Bah!, depois penso nisso", retrucava.
Dito e feito: seu marido tinha que aguentar aquele travesseiro entre eles. Ela tentou, em vão, substituir a peça de espuma pelo lençol, mas nada a dava tranquilidade suficiente para fechar os olhos. O cônjuge sentia-se desprezado, apesar de todo o carinho que recebia nas 16 horas restantes do dia.
Não entendia seus motivos, então desenvolveu uma obsessão por aquela parede fofa. Chegou a extremos infantis, como esconder o travesseiro sobressalente ou mesmo arrancá-lo de cima do rosto de sua amada durante a noite. Nada adiantava. A falta da peça fazia com que ela acordasse imediatamente e iniciasse a mesma discussão de sempre:
"Me deixa!"
"Mas eu quero te fazer um cafuné!"
ou
"É perigoso! E se você ficar sufocada?"
"Isso nunca vai acontecer!"
O marido, resignado, ia dormir sempre antes dela. Cada um em um canto da cama king-size com colchão de quinhentas molas. Desenvolveu distúrbios de sono, roncava, mexia-se demasiadamente, falava durante a noite inteira. O travesseiro a impedia de ouvir a sinfonia da separação.
Certa vez ele levantou-se e foi espalhando todos os cobertores pela casa. Ela acordou com frio, percebeu que o esposo não estava ao seu lado, pegou um edredon no armário e voltou para a cama. "Sonambulismo, era só o que faltava!", pensou, antes de meter a cabeça embaixo do travesseiro de novo. Pela última vez.
Havia dias em que inventava de dormir com os pés na cabeceira da cama. "Durmo sozinha, ninguém pode me julgar", justificava-se. Levava para baixo das cobertas sempre um companheiro diferente nas madrugadas em que o sono demorava a chegar. Cony, Dostoiévski, Bukowski, Mark Knopfler e seus solos transcendentais. Passou anos desta maneira.
Em uma noite quente de Natal em que era impossível fechar a janela, decidiu usar um dos travesseiros como barricada para a brisa que invadia seu quarto. Deu tão certo que o hábito se transformou em necessidade. "E quando você se casar e tiver que dividir a cama com alguém? Como vai ser?", reclamava a mãe. "Bah!, depois penso nisso", retrucava.
Dito e feito: seu marido tinha que aguentar aquele travesseiro entre eles. Ela tentou, em vão, substituir a peça de espuma pelo lençol, mas nada a dava tranquilidade suficiente para fechar os olhos. O cônjuge sentia-se desprezado, apesar de todo o carinho que recebia nas 16 horas restantes do dia.
Não entendia seus motivos, então desenvolveu uma obsessão por aquela parede fofa. Chegou a extremos infantis, como esconder o travesseiro sobressalente ou mesmo arrancá-lo de cima do rosto de sua amada durante a noite. Nada adiantava. A falta da peça fazia com que ela acordasse imediatamente e iniciasse a mesma discussão de sempre:
"Me deixa!"
"Mas eu quero te fazer um cafuné!"
ou
"É perigoso! E se você ficar sufocada?"
"Isso nunca vai acontecer!"
O marido, resignado, ia dormir sempre antes dela. Cada um em um canto da cama king-size com colchão de quinhentas molas. Desenvolveu distúrbios de sono, roncava, mexia-se demasiadamente, falava durante a noite inteira. O travesseiro a impedia de ouvir a sinfonia da separação.
Certa vez ele levantou-se e foi espalhando todos os cobertores pela casa. Ela acordou com frio, percebeu que o esposo não estava ao seu lado, pegou um edredon no armário e voltou para a cama. "Sonambulismo, era só o que faltava!", pensou, antes de meter a cabeça embaixo do travesseiro de novo. Pela última vez.
19 de novembro de 2011
Quem muito se abaixa...
Escrevo isso no calor do momento. Admito que as palavras podem soar um pouco como as da raposa que desdenha as uvas que não pode alcançar. Talvez sim. Ou talvez eu tenha mesmo razão.
Desde pequena eu vou a festivais. Não tenho direito nenhum de me declarar expert em eventos desse tipo, até porque não é algo que se possa atestar. Mas posso dizer que, do SOS da Vida à Queima das Fitas, já presenciei muitas boas apresentações e outras tantas que... bem, deixa pra lá.
Quem tem uma banda de qualquer coisa sabe o quanto é difícil conseguir seus quinze minutos de fama, seja na praça do bairro ou num dos milhares desses festivais de todos os tamanhos, cores, crenças e regiões.
Alguns dias antes do anúncio do primeiro Lollapalooza brasileiro o bolso grita. Boatos, rumores, murmúrios e "fontes confiáveis" atestam que a brincadeira pode girar em torno de trezentos reais por dia de espetáculo. Um espetáculo que incluiria nomes como Foo Fighters, Arctic Monkeys e Jane's Addiction (os donos da bola, aliás) ao lado dos tupiniquins Marcelo Nova, Plebe Rude e Velhas Virgens, entre muitos outros que pisariam o palco em um fim de semana do próximo (já?) Abril.
Não estou reclamando apenas do preço. O Planeta Terra, que aconteceu no começo deste mês, trouxe pouco mais de uma dúzia de apresentações em apenas um dia de show e ficou na mesma faixa salgada, aquela que nos faz pensar na real utilidade de dois rins em nosso corpo...
Todos sabem que não é fácil organizar eventos desse porte. Requer (muito) dinheiro, disponibilidade, interesse de vários grupos e, principalmente, uma programação que agrade ao público - o principal motivo disso tudo acontecer. Ainda estudo o boicote a esse grande festival, não por simples birra, mas porque afinal todos temos contas mais urgentes a pagar, certo?
A Chácara do Jockey Club pode até ser um espaço grande, mas a estrutura deixa a desejar; desde o transporte público até alimentação, banheiros, etc. E tem também o fator LAMA, que deixa marcas indeléveis na lembrança de quem já foi a algum evento no referido local.
Deixo, enfim, a mensagem de alguém que também não ficou nada contente com o caminho que a coisa toda está tomando:
8 de agosto de 2011
Dê.
Eu não sabia quem eram Miranda Kassin e André Frateschi até uma feliz coincidência de ter a TV ligada numa noite de sábado + uma aparição deles no Altas Horas. Um casal fofo e talentoso, unindo amor e música em todos os sentidos. Naquela mesma semana ganhei ingressos pra uma apresentação da Miranda numa casa de shows em São Paulo (ganhei também autógrafo, beijos e abraços), e dois meses depois fui ver a peça que o André estava fazendo no teatro FAAP, "O inverno da luz vermelha". Não preciso dizer que virei fã, preciso?
Todo esse nariz de cera é só pra enfatizar a mensagem e o vídeo que eu queria postar hoje:
"Amigos, chega dessa pasmaceira. Chega dessa eterna covardia amorosa. Se vocês soubessem o que elas andam falando por aí... horrores ao nosso respeito! E o pior é que elas estão cobertas de razão. Prestem atenção, amigos. Faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo. Diante da menor intimidade logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. Que que é isso, companheiros? Fugir à melhor das lutas?"
Dê amor | Dê paixão | Dê espera | Dê esperma | Dê prazer | Dê fogo | Dê uma nela | De carinho | De sacanagem | De sarro | De fato | Dê amor | Dê segurança | De anca na anca dela | E amanheça de cabeça dentro dela
Boa noite.
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