Não vou recitar a mesma ladainha de sempre, prometo.
Ou não.
É impossível não repetir certas coisas quando realmente se acredita que sejam estes os detalhes que fazem tanta diferença no final das contas...
(Sugiro dar o play)
Zeca baleiro - telegrama by minha radiola
Já cantou o maranhense José Ribamar Coelho Santos que sentia-se mais solitário que um paulistano. O paulistano Kléber Cavalcante Gomes assomou que não existe amor em SP. Já o dizem as pichações por todos os muros da cidade, implorando mais amor, por favor. Serão os habitantes da megalópole assim tão ímpares?
Acho que faltam, na verdade, rituais. Em algum lugar entre queimar sutiãs e tornar os divórcios mais rápidos do que o pagamento das prestações da festa de casamento perdeu-se o olhar, desejar, tocar, dançar. Um amigo riu ontem quando eu disse que há pessoas que sentem-se bem ao caminhar na multidão, apenas para esbarrar em outras pessoas, para sentir o contato físico de algum outro ser que não ele(a) próprio(a). Não riam. Há pessoas que não vêem outra saída.
Mulheres, parem com essa babaquice de "eu sou auto suficiente e posso chamar um cara pra sair se eu quiser". Pode, mas não deve fazê-lo sempre. Homens, parem com essa babaquice de "ela vai dizer não só pra me deixar mais excitado". A Mulher que te quiser vai dizer "Sim!" - assim mesmo desse jeito, com exclamação e tudo! (Veja bem, Mulher, favor não confundir com qualquer outro ser do gênero feminino como Piriguete ou Menina-mimada-que-só-quer-atenção)
Por que não abrir uma porta, aceitar uma gentileza, simplesmente dizer um elogio ou aprender a recebê-lo sem ligar o alarme de emergência máxima dentro do coração? O mesmo amigo que riu da minha teoria disse algo que me fez pensar. "Eu quero uma mulher que me faça querer ser um gentleman, que me faça sentir vontade de fazer as coisas por ela".
Mercado temos. Falta apenas o investimento certo ;)
Sarah Kelly escreve neste blogue quando lhe é permitido. Ela quer que as pessoas ouçam o que ela tem a dizer, mesmo que muitas vezes tudo só faça sentido para ela mesma.
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18 de março de 2012
21 de maio de 2011
Your song
Aqui em casa as mulheres são prendadas. Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a minha avó, que aprendeu com a minha bisavó, etc etc etc. A máquina de costura nunca passa muito tempo parada, seja pra fazer roupas, panos de prato ou chaveirinhos. Eis que a "obra de arte" da vez é uma colcha de patchwork.
Patchwork é uma coisa que parece simples mas dá um puta trabalho. Tem que cortar o tecido em pedaços, costurar pedaços pra formar blocos, costurar blocos pra montar todo o quebra-cabeça, fazer o forro, rechear com manta acrílica e depois alinhavar tudo de novo pra ficar fofinho como se deve. É nessa parte do alinhavo (aka quilting) que eu sempre entro pra ajudar, porque é a única parte em que eu posso costurar de um lado e a minha mãe do outro sem que uma atrapalhe a outra.
Ontem à noite eu resolvi pegar na linha e na agulha. Minha mãe tem um rádio que fica na sala de costura, sempre sintonizado na Alpha FM. Segue o diálogo:
- É, filha, você tem razão.
- Razão de quê?
- A Alpha tem só 200 músicas, que eles repetem sempre. Já tou há três dias aqui e não aguento mais ouvir a mesma coisa.
- Então põe um CD aí.
Pus a coletânea dos Beatles pra tocar. Não é o meu CD preferido, não era exatamente o que eu gostaria de estar ouvindo, mas agradaria aos ouvidos gerais naquele momento. Alguns minutos depois eu já estava entretida com o trabalho, comecei a cantar.
Last night I said these words to my girlI know you never even try girl...
Minha mãe ficou me olhando, nostálgica, surpresa ou sei-lá-o-quê. "Eu nunca imaginei minha filha cantando uma música que eu gostava de ouvir quando tinha a idade dela."
Ok, são 32 anos de diferença. Não imagino minha filha fazendo coisas que eu faço hoje, mas também não consigo pensar no tipo de música que ela vai gostar, nas roupas que ela vai vestir e nos programas que ela vai fazer. Só espero que o tempo seja bonzinho comigo e não transforme Restart e Justin Bieber em "clássicos".
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