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18 de julho de 2010

Jornalistas

"Vamos, vai?"
"Chama a Dani também"
"Ela disse que não sai de casa por nada no mundo, com esse frio"
"Hum..."

Alguns minutos depois: "Ah, não vou"

Meia hora depois: "Eu vou sim! Te encontro no Trianon!"

(Ah quem dera todas as noites de sexta feira fossem simples de programar!)
***

"Sarah Kelly! Você veio!"
***

"Cara, a classe toda tá aqui! Tem mais gente aqui do que costumava ter nas aulas!"
***

"Vem cá, deixa eu te apresentar minha esposa!"
***

"Tou solteiro há dois anos. Solteiro, sim; sozinho, nunca!"
***

"Tá trabalhando?"
"Não, vou fazer outra faculdade e mudar de profissão"
***

"Lembra daquele dia? ..."
***

"Todos esses são jornalistas?"
***

Reencontro da turma da faculdade. Algum tempo pra rever os mesmos rostos, conversar sobre os rumos que a vida tomou (ou não) e atualizar os abraços - antes diários - da turma.

Posso falar? Foi muito bom. Mesmo com as piadinhas infames que eu preferia que tivessem ficado em 2006. Mesmo com o frio invernal que resolveu se instalar na cidade que não dorme e desmotivar o comparecimento de algumas pessoas. Apesar de tudo a gente ainda sabe se divertir.

Deu saudade, confesso. Mas se fosse pra voltar e fazer de novo, gostaria de poder escolher a mesma turma, de novo. Mil acasos nos colocaram juntos, mas a certeza é que sem eles não teria - como de fato não teve - a mesma graça.

14 de maio de 2010

E o Olho cegou...

Título absurdo pra um trabalho absurdo que fiz junto com uma amiga em 2006: Traçar um paralelo entre o (ótimo) documentário "Janela da Alma" e o livro "Ensaio sobre a cegueira". Tarefa difícil pra alguém cuja visão de mundo se limitava ao eixo São Paulo-Arujá, mais precisamente o trajeto casa-faculdade-casa.

Encontrei o trabalho semana passada, perdido entre um dos muitos backups do meu antigo computador. Segue um trecho muito pertinente.

*****

Outro ponto discutido é: o que é a cegueira? A cegueira ou dificuldade para enxergar não é algo propriamente físico. Hoje existe também a perda do olhar interior, da sensibilidade geral. Um exemplo interessante é do fotógrafo cego Evgen Bavcar, que mostra na película seu processo de trabalho. “Posso vê-la com os olhos da mente”, ele afirma a respeito de uma modelo que estava fotografando. Muitos pensam que não seria capaz de ter um bom trabalho, entretanto, ele “faz as imagens” de modo a provocar reflexão em quem vê suas obras. Ele não enxerga o mundo como os outros o vêem, mas tem a sensibilidade necessária para chocar e comover os que observam suas fotografias.


A pessoa não pode “falar com a língua do outro, ver com os olhos do outro”, pois isso a transforma em um boneco. Segundo Manoel de Barros (um dos entrevistados do documentário), ”os produtos culturais precisam de um espaço para inserirmos os sonhos”. Se for algo fechado não teremos a oportunidade de trabalhar a nossa imaginação e discernimento. A alma deve sair dos olhos, que não são só passivos.


Contudo, em uma sociedade na qual prevalecem opiniões prontas e em grande quantidade, a pessoa perde o espaço crítico (já afetado pelas suas limitações naturais). Ter demais pode ser considerado não ter nada. Já diziam nossas avós, que “Quem tudo quer, tudo perde”. Um homem da Idade Média não consumia durante toda a sua vida o volume de informações que uma pessoa consome hoje, em um dia. A curiosidade vem do jornalista Leão Serva, criador do jornal Último Segundo, no portal Ig. O excesso de informações, imagens, comunicação é uma síndrome do homem pós-moderno. Na era da rapidez são poucas as pessoas que esperam de bom grado que o carro da frente saia só depois de 5 segundos que o farol ficou verde. Que dizer, então, de um carro que permanece parado, e seu motorista atônito gritando lá dentro: “Estou cego”? Tanto o livro quanto o filme nos mostram que perdemos a humanidade, somos hoje humanóides que se multiplicam nas enormes “gigalópoles”.


*****

#Reflitão.

12 de maio de 2009

Isso é só o fim...


Pois, e agora você se vai embora, depois deste tempo todo. Daqueles 120 jovens que chegaram junto com você, muitos já se foram também. Alguns que já estavam aqui antes estão indo agora também, junto com você, e agora você se vai.

Não digo que sentirei saudades. Muitos já passaram por aqui, muitos outros passarão, e eu continuo esta mesma velha. Nem tão velha, são pouco mais de 130 anos de existência, há muitas outras, bem mais velhas do que eu. Nem todas te acolheriam como eu o fiz, em nem todas você encontraria tudo o que eu pude te proporcionar. Em algumas você poderia ter encontrado mais, mas por milhares de forças isso não aconteceu.

Agora você olha para mim, e me vê no meio de todos os acontecimentos dos últimos 5 anos. Nem todos eles, porque você ainda foi uma das poucas que me abandonou. Me trocou por aquela senhora portuguesa com quase mil anos. Mas ela não quis ficar com você, e me devolveu a Sarah Kelly... Bem a tempo, por alguns meses quase acreditei que havia te perdido pra sempre.

Não pude te ensinar todo o necessário. Nenhuma delas poderia. Aqui você pôde se esforçar pra entender como as coisas funcionam, e no máximo aprender uma pequena parte. Mas isso dependia de você, e você desprezou algumas coisas que eu quis te oferecer.

No começo você enchia a boca pra falar de mim, e toda orgulhosa adorava exibir-se, utilizando o meu nome e a minha história como se fossem seus. Hoje você não tem mais paciência pra aguentar a minha burocracia, meus professores não tão bons assim e meu espaço físico que já não tem um cantinho que você não conheça. A falta de apoio também desgastou nossa relação. Sei que você esperava bem mais de mim. O erro foi seu, por ser tão ingênua e sonhadora. Espero ter te ensinado que a vida lá fora é bem mais dura do que aquilo que você já viveu até hoje.

Não posso te oferecer mais novidades. O seu tempo comigo já passou. Agora é seguir em frente, como todos os outros fizeram... Vai, vai embora. Tudo o que podia ser feito já foi, e agora você não pode mais voltar. Parabéns, você chegou até o fim. Basta atravessar a porta, e não se esqueça de nunca olhar pra trás.

1 de abril de 2009

Crenças

Abadia de Westminster, em Londres (Inglaterra)

Sempre achei que como jornalista eu seria uma boa profissional. Logo no começo do curso os professores faziam de tudo para trazer às discussões os assuntos da objetividade e do distanciamento do repórter com a história sobre a qual está a escrever. Em quatro anos de faculdade acho que nunca me deparei com uma disciplina que pusesse tais conceitos à prova. Até agora.

A cadeira foi feita para trabalhar textos literários, matérias mais aprofundadas e de certa forma mais opinativas. Curiosamente foi justo ao escrever um texto para esta cadeira que percebi que ainda não sou capaz de me distanciar do assunto a ser tratado. O tema geral é “Religiões”, e escolhi não escrever sobre a minha própria religião. Para não ter problemas, escolhi um assunto que julguei ser neutro, mas me enganei absurdamente.

Em cada parágrafo que tive de reescrever percebi como em certas áreas os pré-conceitos são tão presentes que não se pode simplesmente deixar que os dedos deslizem pelo teclado do computador sem a devida (e prolongada) reflexão.

Desde a discussão das pautas e dos depoimentos de alguns colegas de classe tenho entendido que ainda preciso trabalhar este aspecto se quero ser uma profissional correta. Preciso exercitar mais o respeito por outras crenças, não deixando a minha de lado. E aprender que, para o outro, é aquela a realidade em que estão baseados sua vida e atitudes. Por mais inacreditável que seja, ou por mais difícil que possa parecer ouvir, analisar e escrever.


* Sarah Kelly é estudante de Jornalismo e hoje entregou esta "confissão" a seu professor, pra tentar justificar a qualidade de sua matéria sobre arquitetura de igrejas, que não ficou de todo ruim mas está longe de ser considerada boa.

29 de março de 2009

Responsabilidades

Sim, elas  existem, não se pode negar. Por mais chatas que sejam, ou por menores que pareçam a alguns, faz parte de crescer acumular algumas responsabilidades na vida...

Quando eu era miúda adorava festas de aniversário. Eram cheias de amiguinhos, tinha muitas brincadeiras, palhaços, mágicos e brigadeiros. No fim da festa eu estava muitíssimo cansada, e acabava adormecendo em alguma cadeira no salão de festas. Não tinha que limpar nada, nem organizar a bagunça que havia feito. Deixava isso pros adultos - no caso, meu pai e minha mãe.


Hoje, alguns anos depois, a história se inverteu. Aniversário de minha mãe, festa com os familiares e amigos aqui em casa. Sinto-me realmente cansada. Não que eu tenha brincado com meus amiguinhos, ou que tenha comido muitos docinhos. Sinto-me cansada por ter arrumado toda a festa, ajudado a preparar as comidas, e agora à noite ainda ter que ajeitar tudo de novo...

Ainda tenho que terminar uma crítica cultural voltada para crianças, trabalho da faculdade para entregar amanhã. É difícil pensar com a cabeça deles, ainda mais porque as minhas festas de aniversário não têm mais as brincadeiras de antigamente. E eu que pensava que era fácil ter seis anos de idade...

21 de janeiro de 2009

Tempo

Crônica sem nome e sem pretensão

 

“Parar, desacelerar para prestar atenção à correria à nossa volta”. Quando recebi esta intimação do editor, quase entrei em desespero. Parar? “Como assim? Não posso parar simplesmente!”

Até que uma tarde consegui me livrar dos problemas que tinha a resolver – ou melhor, eles se livraram de mim – e pude em muito tempo ter uma tarde de ócio. Fui à biblioteca, tomei um café demoradamente, sentei-me no bosque e fiquei observando as pessoas à minha volta. Tudo isso em menos de uma hora.

Fiz duas descobertas incríveis. Primeira: as pessoas estão tão acostumadas a correr – e me incluo neste grupo – que não sabem o que fazer em seus períodos de ócio. Segunda: Eu sou capaz de me dar um pouco de tempo.

De posse destas máximas, pude, então (como tanto queria meu editor), parar. (Coincidência ou não, exatamente algumas horas depois de ter declarado veementemente a ele que não podia, que não havia tempo).

Tempo...

Invenção moderna que só faz alterar a natureza da humanidade, o ato de medir o tempo nunca fez falta a ninguém. Calma, eu explico! (antes que os catedráticos queiram me queimar na fogueira dos impropérios...)

Não falo aqui do tempo que se mede em anos, séculos, eras. Falo do tempo do relógio, medido em minutos, segundos, e até mesmo milésimos de segundo, dada a situação em que nos encontramos hoje.

Transformado em mero acessório, o relógio hoje só serve para enfeitar; afinal de contas não se pode mais planejar a vida em grandes cidades com exatidão, se a cada dia o trânsito fica mais e mais complicado...

Todos correm, mas ninguém consegue realmente manter um bom ritmo e bons resultados. Se antecipam a vida profissional, a vida pessoal fica prejudicada (“como manter um namorado se mal tenho tempo para dormir?”). Se antecipam a vida acadêmica, roubam tempo do lazer (“quero ir ao teatro, mas preciso terminar o relatório do TGI...”)

A cada dia um novo desafio, para reservar tempo hábil para todas as atividades previstas, e ter ainda algum luxo nas imprevistas (“gostamos muito do seu currículo e gostaríamos de agendar uma entrevista para hoje, daqui a meia hora pode ser?”)

Pato Fu - Sobre o tempo

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