Sarah Kelly escreve neste blogue quando lhe é permitido. Ela quer que as pessoas ouçam o que ela tem a dizer, mesmo que muitas vezes tudo só faça sentido para ela mesma.
18 de julho de 2010
Jornalistas
"Chama a Dani também"
"Ela disse que não sai de casa por nada no mundo, com esse frio"
"Hum..."
Alguns minutos depois: "Ah, não vou"
Meia hora depois: "Eu vou sim! Te encontro no Trianon!"
(Ah quem dera todas as noites de sexta feira fossem simples de programar!)
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"Sarah Kelly! Você veio!"
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"Cara, a classe toda tá aqui! Tem mais gente aqui do que costumava ter nas aulas!"
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"Vem cá, deixa eu te apresentar minha esposa!"
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"Tou solteiro há dois anos. Solteiro, sim; sozinho, nunca!"
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"Tá trabalhando?"
"Não, vou fazer outra faculdade e mudar de profissão"
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"Lembra daquele dia? ..."
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"Todos esses são jornalistas?"
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Reencontro da turma da faculdade. Algum tempo pra rever os mesmos rostos, conversar sobre os rumos que a vida tomou (ou não) e atualizar os abraços - antes diários - da turma.
Posso falar? Foi muito bom. Mesmo com as piadinhas infames que eu preferia que tivessem ficado em 2006. Mesmo com o frio invernal que resolveu se instalar na cidade que não dorme e desmotivar o comparecimento de algumas pessoas. Apesar de tudo a gente ainda sabe se divertir.
Deu saudade, confesso. Mas se fosse pra voltar e fazer de novo, gostaria de poder escolher a mesma turma, de novo. Mil acasos nos colocaram juntos, mas a certeza é que sem eles não teria - como de fato não teve - a mesma graça.
14 de maio de 2010
E o Olho cegou...
Encontrei o trabalho semana passada, perdido entre um dos muitos backups do meu antigo computador. Segue um trecho muito pertinente.
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Outro ponto discutido é: o que é a cegueira? A cegueira ou dificuldade para enxergar não é algo propriamente físico. Hoje existe também a perda do olhar interior, da sensibilidade geral. Um exemplo interessante é do fotógrafo cego Evgen Bavcar, que mostra na película seu processo de trabalho. “Posso vê-la com os olhos da mente”, ele afirma a respeito de uma modelo que estava fotografando. Muitos pensam que não seria capaz de ter um bom trabalho, entretanto, ele “faz as imagens” de modo a provocar reflexão em quem vê suas obras. Ele não enxerga o mundo como os outros o vêem, mas tem a sensibilidade necessária para chocar e comover os que observam suas fotografias.
A pessoa não pode “falar com a língua do outro, ver com os olhos do outro”, pois isso a transforma em um boneco. Segundo Manoel de Barros (um dos entrevistados do documentário), ”os produtos culturais precisam de um espaço para inserirmos os sonhos”. Se for algo fechado não teremos a oportunidade de trabalhar a nossa imaginação e discernimento. A alma deve sair dos olhos, que não são só passivos.
Contudo, em uma sociedade na qual prevalecem opiniões prontas e em grande quantidade, a pessoa perde o espaço crítico (já afetado pelas suas limitações naturais). Ter demais pode ser considerado não ter nada. Já diziam nossas avós, que “Quem tudo quer, tudo perde”. Um homem da Idade Média não consumia durante toda a sua vida o volume de informações que uma pessoa consome hoje, em um dia. A curiosidade vem do jornalista Leão Serva, criador do jornal Último Segundo, no portal Ig. O excesso de informações, imagens, comunicação é uma síndrome do homem pós-moderno. Na era da rapidez são poucas as pessoas que esperam de bom grado que o carro da frente saia só depois de 5 segundos que o farol ficou verde. Que dizer, então, de um carro que permanece parado, e seu motorista atônito gritando lá dentro: “Estou cego”? Tanto o livro quanto o filme nos mostram que perdemos a humanidade, somos hoje humanóides que se multiplicam nas enormes “gigalópoles”.
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#Reflitão.
12 de maio de 2009
Isso é só o fim...

Pois, e agora você se vai embora, depois deste tempo todo. Daqueles 120 jovens que chegaram junto com você, muitos já se foram também. Alguns que já estavam aqui antes estão indo agora também, junto com você, e agora você se vai.

1 de abril de 2009
Crenças

A cadeira foi feita para trabalhar textos literários, matérias mais aprofundadas e de certa forma mais opinativas. Curiosamente foi justo ao escrever um texto para esta cadeira que percebi que ainda não sou capaz de me distanciar do assunto a ser tratado. O tema geral é “Religiões”, e escolhi não escrever sobre a minha própria religião. Para não ter problemas, escolhi um assunto que julguei ser neutro, mas me enganei absurdamente.
Em cada parágrafo que tive de reescrever percebi como em certas áreas os pré-conceitos são tão presentes que não se pode simplesmente deixar que os dedos deslizem pelo teclado do computador sem a devida (e prolongada) reflexão.
Desde a discussão das pautas e dos depoimentos de alguns colegas de classe tenho entendido que ainda preciso trabalhar este aspecto se quero ser uma profissional correta. Preciso exercitar mais o respeito por outras crenças, não deixando a minha de lado. E aprender que, para o outro, é aquela a realidade em que estão baseados sua vida e atitudes. Por mais inacreditável que seja, ou por mais difícil que possa parecer ouvir, analisar e escrever.
* Sarah Kelly é estudante de Jornalismo e hoje entregou esta "confissão" a seu professor, pra tentar justificar a qualidade de sua matéria sobre arquitetura de igrejas, que não ficou de todo ruim mas está longe de ser considerada boa.
29 de março de 2009
Responsabilidades

21 de janeiro de 2009
Tempo
Crônica sem nome e sem pretensão
“Parar, desacelerar para prestar atenção à correria à nossa volta”. Quando recebi esta intimação do editor, quase entrei em desespero. Parar? “Como assim? Não posso parar simplesmente!”
Até que uma tarde consegui me livrar dos problemas que tinha a resolver – ou melhor, eles se livraram de mim – e pude em muito tempo ter uma tarde de ócio. Fui à biblioteca, tomei um café demoradamente, sentei-me no bosque e fiquei observando as pessoas à minha volta. Tudo isso em menos de uma hora.
Fiz duas descobertas incríveis. Primeira: as pessoas estão tão acostumadas a correr – e me incluo neste grupo – que não sabem o que fazer em seus períodos de ócio. Segunda: Eu sou capaz de me dar um pouco de tempo.
De posse destas máximas, pude, então (como tanto queria meu editor), parar. (Coincidência ou não, exatamente algumas horas depois de ter declarado veementemente a ele que não podia, que não havia tempo).
Tempo...
Invenção moderna que só faz alterar a natureza da humanidade, o ato de medir o tempo nunca fez falta a ninguém. Calma, eu explico! (antes que os catedráticos queiram me queimar na fogueira dos impropérios...)
Não falo aqui do tempo que se mede em anos, séculos, eras. Falo do tempo do relógio, medido em minutos, segundos, e até mesmo milésimos de segundo, dada a situação em que nos encontramos hoje.
Transformado em mero acessório, o relógio hoje só serve para enfeitar; afinal de contas não se pode mais planejar a vida em grandes cidades com exatidão, se a cada dia o trânsito fica mais e mais complicado...
Todos correm, mas ninguém consegue realmente manter um bom ritmo e bons resultados. Se antecipam a vida profissional, a vida pessoal fica prejudicada (“como manter um namorado se mal tenho tempo para dormir?”). Se antecipam a vida acadêmica, roubam tempo do lazer (“quero ir ao teatro, mas preciso terminar o relatório do TGI...”)
A cada dia um novo desafio, para reservar tempo hábil para todas as atividades previstas, e ter ainda algum luxo nas imprevistas (“gostamos muito do seu currículo e gostaríamos de agendar uma entrevista para hoje, daqui a meia hora pode ser?”)
