14 de agosto de 2009

Home Office


Home office é um jeito educado de dizer que você faz trabalhos pra alguém, mas não te querem trabalhando no escritório. Algumas pessoas podem achar bacana não ter que gastar com transporte e alimentação, já que não precisam sair de casa e podem almoçar com a família mesmo... Parece bom, não?

Mas algumas coisas simplesmente não se pode fazer em casa. Algumas pessoas simplesmente não servem pra isso. E algumas famílias simplesmente não entendem como você pode transformar o seu quarto em escritório.

"Sah, lava a louça do almoço?"
"Filha, me ajuda aqui na cozinha?"
"Vai, pára um pouquinho, vem tomar um café"
"Mas trabalhar pra quem, se você fica o dia inteiro na frente daquele computador?"

Fogo, viu...

8 de agosto de 2009

Noite passada

O dia tinha começado errado pra ela. O amigo não atendia o telefone, e ela não sairia de casa sem antes combinar o que fariam. Era longe demais pra chegar até lá e dar com a cara na porta. Enquanto tentava inutilmente localizá-lo pelo celular, abriu o msn para ler seus emails e ver se o amigo estava online.

O amigo não estava lá, mas o caramujinho sim. Quis falar com ele, saber como estava, conversar sobre a vida, o universo e tudo mais. Conversaram. "E decidiram se encontrar..." O caramujinho tinha uma banda, e sexta-feira era dia de ensaio. O ensaio era longe, mais longe que a casa do amigo que deu um bolo nela, mas ao menos estava confirmado: 21h.

Ela fez de tudo pra chegar às 20h. Iam tomar uma cerveja, trocar considerações sobre o dia, planejar o futuro, discutir o passado. "Nada melhor do que não fazer nada..." Só que era sexta-feira, e ela sabia que o trânsito estaria carregado, mas naquele dia estava impossível, graças ao sr. prefeito (que decidiu encher ainda mais as ruas de carros, ao invés de apenas regulamentar pontos de parada para os ônibus fretados).

Já no meio do caminho avisou que se atrasaria um pouquinho... Acabou se atrasando um poucão. Chegou à estação e encontrou não um, mas dois moços com instrumento nas costas e cara de cansados (estavam esperando lá há uma hora, não podiam ter outra cara!) Seguiram para o estúdio. Lá encontraram o resto da banda e começaram o ensaio.

Músicas conhecidas, outras nem tanto, e conversas sobre tudo o que se pode imaginar nos intervalos. Loucuras à parte, mais três fãs que sempre acompanham os ensaios, um baterista fazendo moonwalking (devidamente documentado), um baixista palmeirense indignado com o campeonato, um tecladista/vocalista se exibindo pras câmeras e um guitarrista/vocalista/caramujo que até deixou que ela escolhesse uma música. Quase um show particular.

Uma noite divertida. Poderia ter sido mais. O metrô poderia ficar aberto a noite toda, e os ônibus poderiam rodar enquanto ainda houvesse gente na rua. A linha do trem poderia não ter dividido o grupo logo na entrada da estação. O caramujinho poderia ter seguido o mesmo caminho que ela, pra continuarem colocando o papo em dia e descobrindo novos assuntos... Mas agora já foi. Quem sabe na próxima sexta-feira...

(PS: Que banda é essa? Bresser!)

4 de agosto de 2009

Bagunça

Sim, porque afinal de contas eu nunca consegui manter a organização por muito tempo. A maior vergonha do mundo, quando eu era mais nova, era ouvir minha mãe falando que meu irmão (que era moleque) conseguia ser mais organizado que eu... Mães podem ser muito, muito cruéis, quando querem. Com o tempo aprendi que se eu me disciplinar posso arrumar a bagunça antes que fique bagunçada demais. (E aprendi que meu irmão arruma tudo, mas do jeito dele, porque já me perdi dentro da organização dele também)

Mais do que a bagunça externa tenho também alguma dificuldade com fantasmas e demônios internos (mas quem não tem?) Eles ficam lá, embaixo do tapete e atrás do armário, só esperando o momento certo de sair pra bagunçar toda a sua linha de raciocínio e suas emoções. Por quê? Porque deveriam ser exorcizados da maneira correta e não foram! Ficam lá, ficam fazendo bagunça.

A confusão é maior quando algo os desperta. Uma carta (ou na era da Internet um email), uma música especial, fotos, lembranças de tempos idos. Tudo e nada podem fazer com que eles saiam, e não há, absolutamente, uma fórmula mágica pra escondê-los de novo. Eles vão e vêm quando acham que têm que se mover.

Ultimamente tenho prestigiado os escritos de um novo amigo, o Fábio. Ele escreve coisas como essa, que me tiram do estado letárgico e me fazem pensar demais. Eu ultimamente o odeio e o amo por fazer isso comigo... Não é justo ele me dar as coisas pra ler e não estar aqui pra eu poder reclamar dos efeitos delas em mim...

Minhas costas doem muito, mas acordei bem. E se uso tanto as pessoas é porque elas mesmas me ensinaram a ser assim. É só questão de cuspir de volta a saliva amarga dos últimos beijos. Jogo o jogo. Encanto-me com as pessoas e delas enjôo com a mesma facilidade; sou muito apegado aos meus desapegos, ao presente, este mesmo, que existe não existindo. O passado é ignorado e o futuro está um tanto além daquele muro.
(In: "Inadequado")

Portanto sigo com minha bagunça, certa de que qualquer dia ao fechar um livro minha cabeça explodirá, tamanho o alvoroço dos bichos lá dentro.
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