6 de maio de 2013

Sou sua melhor fotógrafa

Tenho muito orgulho em dizer que sou jornalista. Tirando aquela parte toda do ego da classe ser o maior de todas as áreas profissionais, vamos pular as piadinhas e ir direto ao ponto: eu gosto do que faço.

Mas se tem uma coisa na minha profissão que nunca me esforcei muito pra aprender foi tirar fotos. Sempre gostei de simplesmente apertar o botão e ver o que saía. Errei, sim - e como! Só meu bolso soube quais as consequências dessa minha mania na época das câmeras analógicas e filmes de rolo. Só meu HD sabe hoje em dia o número imenso de fotografias inúteis que já tirei (e guardei, mesmo sabendo que eram lixo).

Diziam, nos primórdios da fotografia, que os instantâneos tinham o poder de aprisionar as almas das pessoas. Ao ver algumas fotografias eu afirmaria isso com certeza, tamanha a beleza que um quadro de milésimo de segundo pode proporcionar. Ao ver outras afirmaria com a mesma certeza, tamanho o desespero que transmitem. Quem foi que disse que todas as pessoas eram boas e que tudo seria divino, maravilhoso?

Assim como existem os catadores que passam pelas ruas com suas carroças abarrotadas de coisas que outras pessoas jogaram fora, também há os catadores virtuais. Aqueles que insistem em pegar fotos que já foram consideradas lixo e reeditá-las, mudar contraste, cortar créditos e fazer parecer que aquilo é algo novo. Não é. Palavra de quem sabe reconhecer cada clique que já disparou. E, principalmente, de quem sabe de perto o que é ruim.

Diga "xis"!

16 de março de 2013

O quinto sábado

(from Jay Vaquer's album "Umbigobunker")
... só um mês? Mais parece um século!

Cá estou eu, no quinto sábado desde que o mundo virou de ponta-cabeça, só pra te escrever algumas linhas e expor minha alegria pra parede. Sim, porque esse blog é que nem aquela parede onde a gente anota frases de música, cola o pôster do filme favorito e escreve um palavrão de vez em quando, só pra contrariar a ordem vigente.
Ordem vigente.
Aquela que acontecia até o dia em que eu quis te conhecer. E convidei. E você aceitou. Até aquele dia em que a gente se encontrou pela primeira vez e eu soube que era você. Mas tive que esperar até o fim do dia pra ter certeza, mesmo.
Certeza.
Aquele arrepio que a gente sente, bem lá no fundo da alma, dizendo que alguma coisa está inevitavelmente e indelevelmente sendo construída. Aquele friozinho na barriga que dá quando você me diz que quer estar comigo. Eu também quero, eu também gosto, eu também não me importo com o resto do mundo e o que quer que aconteça.
E o que vai acontecer?
Só Deus sabe.
Tal qual uma exilada de um país distante, sigo com essa saudade que aumenta a cada vez que minhas mãos precisam deixar as tuas, meus braços precisam te largar e os pés andam na direção contrária à que o meu pensamento ordena.
Ordem?
Não existe mais ordem que tire você dos meus pensamentos, o sorriso da minha boca e a sua voz dos meus ouvidos. Já nomeei teus braços minha fortaleza, teu peito meu travesseiro e tudo o que você me traz de bom como espólio de guerra. Nada mais justo, já que você levou embora meu coração e aquele vazio que insistia em dar sinais de vida às vezes.

Obrigada por ter bagunçado a minha vida. Te amo.

18 de fevereiro de 2013

Um bom conselho

Já diz aquele bom e velho mote, que se conselho fosse bom, não seria dado e sim vendido. Ótimo. Mas quem é que tem coragem de cobrar de um amigo? Eu não tenho.

Novidade é um negócio interessante. Ela aparece de repente e você sente uma necessidade louca e imperativa de contar logo para aqueles que merecem saber dela. Após os primeiros relatos e o choque inicial -- sim, porque toda novidade traz um choque, por menor que seja -- começam a pipocar os primeiros conselhos.

Conselho é uma coisa engraçada, porque vem logo após a novidade, num tom de proteção/preocupação, mas ao mesmo tempo com toda a felicidade (ou tristeza) que se possa dedicar a um bom companheiro. É aquela frase que algum dia talvez você até já tenha ouvido do próprio amigo, em outro contexto, em outra situação. O mais comum é que o conselho venha inclusive acompanhado de uma risadinha, na maior denúncia de que, sim, você já viu aquele filme.

Nessa onda de "faça o que eu digo, não o que eu faço" seguimos, na maior cara de pau, reafirmando aquilo que um dia já recebemos como regra inquebrável, para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Meu conselho no momento é: "Vá com calma". Calma e paciência, embora pareçam, não são a mesma coisa. Esta, eu tenho até de sobra quando quero. Aquela, nem com reza brava dá pra conseguir em certos momentos.

Sigo cantando, assoviando e desejando que o tempo amigo seja legal, porque faltarão dentes e sorrisos e músculos faciais e pernas e braços e abraços pra toda a alegria que, com calma, chegará afinal.

from http://oldposters.com.br

1 de janeiro de 2013

A despedida

Ela já havia comido o que sobrara do pernil da ceia de ano novo. Já havia lavado metade da louça, o que incluía todos os pratos e talheres. Que deixasse as panelas. Era a hora.

Ela sabia o que precisava fazer. Desceu as escadas com o objeto nas mãos. Pegou uma rede, estendeu entre os pilares ao lado da churrasqueira e deitou-se. Abriu o livro, procurando pela ficha que havia deixado para marcar o ponto de parada do dia anterior. Faltavam 40 páginas para concluir o relato das aventuras e desventuras de Viramundo e de suas inenarráveis peregrinações.

Os raios fracos do sol bruxuleavam entre os pinheiros que se movimentavam ao sabor do vento. Geraldo Viramundo chegava a Belo Horizonte, um retirante sem mais do que as roupas do corpo, um terço quebrado, uma caderneta, um toco de lápis e algumas outras miudezas no bolso.

Relendo o livro de Fernando Sabino ela teve vontade de mais uma vez largar tudo pra sair por aí, meio sem rumo, meio sem pressa pra voltar. Mas o tempo urge, em duas semanas ela estará de volta à alma mater e à nova velha rotina à qual ainda não conseguiu se acostumar.

Então é assim que a vida segue. Ela teve que chegar à última página. Matou o Viramundo e as suas andanças, justo no primeiro dia do ano.

"Não precisamos disso - afirmou ele. - Não venceremos a coice d'armas. Outro é o nosso poder de fogo, outro é o fogo do nosso poder" (Geraldo Viramundo, in O Grande Mentecapto)

21 de dezembro de 2012

The end?



Eu me orgulho de ter nascido em um ano tão bacana quanto 1987. Não me envergonho dos meus vinte e cinco anos de sonho, e de sangue, e de América do Sul. Não me lembro de todas as coisas que já fiz nessa vida, mas como diria uma amiga, eu tenho memória paquidérmica seletiva. Vai vendo.

Quando eu era criança, não ficava tentando encontrar explicação pra tudo o que eu não sabia/não me deixavam saber. Eu simplesmente via/ouvia/vivia aquilo e pronto, ok, próximo evento. E de vez em quando a gente se pega lembrando de cada coisa besta, meu Deus!

Se eu for contar, já passei por vários fins do mundo. Cada um mais divertido que o outro. E uma das grandes personagens destes acontecimentos é um senhor chamado Michel de Notre-Dame. Ou Nostradamus. Hoje em dia ele anda meio em baixa, a moda agora são os maias, mas eu sempre preferi os europeus ;)

Em 1999 eu estudava na 6ª série de um colégio pequeno. Acho que eu dividia a sala com mais 25 ou 30 crianças, no máximo, sendo que muitos de nós estudávamos juntos desde as fraldas. E era um daqueles dias em que anunciavam e garantiam que o mundo ia se acabar. Não me lembro o dia exato (Google diz que talvez seja 11 de agosto), mas me lembro da cena: os meninos do fundão (sempre o fundão!) começaram em um dado momento uma contagem regressiva. No meio da aula, gritaram "10, 9, 8, 7..." e rapidamente toda a classe entrou na brincadeira. Havíamos discutido isso mais cedo, alguém tinha certeza inclusive do horário exato. E contamos. "6, 5, 4..." E eu não sabia o que fazer, ou o que pensar. "3, 2... 1!!!" E silêncio. Não explodiu nada. As luzes continuaram acesas. O sol não queimou a terra. O mundo não acabou. E a professora continuou a aula, acho que era de Ciências.

Naquele mesmo ano, no réveillon, disseram de novo que o mundo ia se acabar. Mas desta vez seria uma pane geral em todos os computadores. "É que eles não vão entender que 00 significa 2000 e não 1900! Em 1900 não havia computadores" (Ah, jura?) Meu pai ficou de plantão no escritório. Vieram os fogos. A chuvinha fina que sempre coroa o dia 31. Veio o telefonema da meia-noite. O mundo não acabou. E a vida continuou, do mesmo jeitinho, mas agora com pelo menos um zero na frente.

Em 2001 aconteceu aquele episódio norte-americano. Muito se dizia sobre a Terceira Guerra Mundial, os armamentos nucleares e as baratas. Mas sabemos bem o que aconteceu. O mundo não acabou. E a vida continuou, com mais medo de viajar de avião ao lado daquele barbudo de turbante.

Em 2007 um grupo de cientistas disse que se 600 milhões de ocidentais pulassem ao mesmo tempo a Terra sairia da órbita e então estaríamos salvos de uma catástrofe ambiental. Não faço ideia de quantas pessoas pularam, mas o dia não tem hoje mais horas do que há cinco anos e o clima não está mais ameno. O mundo não acabou. E o clima continua mais quente e louco a cada estação.

Dizem que para outras datas havia outras previsões. Mas continuamos aqui. 21/12/2012, exatamente 00:21 agora que escrevo esta linha. O mundo não acabou. E eu vou pintar uma camiseta com os dizeres "21/12/2012 - Eu sobrevivi!"

Fico pensando hoje quantas pessoas não vão tentar pregar peças nos outros, só pelo prazer de ver alguém se assustando por causa de mensagens altamente sugestionadoras que vêm rolando há um bom tempo por aí...

19 de novembro de 2012

Plano de leitura

Ok, faz tempo que eu não passo por aqui. Mas cá estou, pra postar um video bacaninha. Eu que fiz!



A lista dos livros, em ordem de aparição, e não necessariamente na ordem em que pretendo ler:

1- King Lear, William Shakespeare
2- Dom Quixote, Miguel de Cervantes (2 volumes)
3- A revolução do gibi. A nova cara dos quadrinhos no Brasil, Paulo Ramos
4- Sentimento do mundo, Carlos Drummond de Andrade
5- Histórias de amor, Adolfo Bioy Casares
6- Eu, robô, Isaac Asimov
7- The Outsiders, Susan E. Hinton
8- A volta ao mundo em oitenta dias, Júlio Verne
9- Sagarana, João Guimarães Rosa
10- O nascimento / O regime / O rapto, Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins

E vocês? Já têm um plano de leitura pra 2013?

19 de junho de 2012

Uma esquina a mais

Quando se tem contato quase que diário com as crianças a gente acaba meio que virando "tia", "madrinha" ou algo que valha pra eles. Seja pra assuntos bestas, como o último meme do momento, seja pra coisas fúteis, como "Ai que lindo seu esmalte! Quem é esse bicho amarelo?" ou mesmo assuntos quase úteis como estudos, vocação, etc.
Sexta-feira uma dessas me chegou alegre e saltitante, com um sorrisão de orelha a orelha.

"Aaaai, Saaaaaarah, tou tão feliz que fiz toda a lição!" (Parem as prensas! Hehehe)
"Deixa eu adivinhar. Você tá namorando?"
"Como você sabe? O.o "
"Tem coraçõezinhos flutuando em volta da sua cabeça..."
"Aaaaaaaai ele é tão lindo! E fofo!! E ele disse que gosta de mim!!! Mas ele mora longe..."
"De onde ele é? Do Acre?"
"De São Paulo." (Ah, só 30 km, que é isso? Vem perguntar pra mim o que é longe, minha filha!)
"Que bairro?"
"Sei lá"
"Como não sabe? Você nunca foi à casa dele?"
"Não."
"Então?"
"Ele é meu amigo de Facebook." (Ai não...)
"Vocês se conhecem pessoalmente?"
"A gente foi pra um acampamento no ano passado." (Ufa! Pelo menos!)
"Ou seja, vocês estão namorando mas nunca deram um beijo?"
"É" (Ah, como é fácil fazer esses jovens felizes!)


Claro que essa conversa não foi direta assim, mas a menina não parava de suspirar, a cada 5 minutos falava algo sobre ele. Fui juntando tudo.
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Hoje a mesma menina apareceu cabisbaixa. Nem precisei perguntar, a novidade caiu no meu colo.

"Não tou mais namorando."
"Por quê?" (Posso levantar a plaquinha de "Eu já sabia"?)
"Ele gosta de outra. Ele ficou com ela."
"Então ele não gostava de você."
"Mas ele ficava me mandando coraçõezinhos e mensagens fofinhas!" (Xiii! Corre, Bino!)
"Menininha, você tem quantos anos mesmo? 14?"
"13."
"Ótimo. Daqui a 10 anos você venha conversar comigo."
"Mas tá doendo!" 
"A ilusão ou o chifre?"
"Os dois. Eu tou com muita raiva dele!"
"Que te sirva de aprendizado." (Pra você não ficar que nem a tia aqui...)
"Mas eu gosto dele!"
"Mas ele não se importou com você, né?" (Ai, desculpa, Menininha! É necessário!)
"Não..."
"Então não se importe com ele. Deixa esse bobo de lado."
"Eu queria que fosse fácil."

É fácil. Ou não. Quando se tem 13 anos, o mundo sempre acabará na próxima esquina. Desconfio que mais à frente aconteça a mesma coisa também, mas as esquinas vão se alargando, ou é o tamanho dos quarteirões que fica diferente.
Pelo menos serviu pra que eu descobrisse por que não gosto mais de assistir a comédias românticas água-com-açúcar. Não gosto de (re)ver minha vida no cinema, principalmente as partes bestas dela. Mas nada que uma panela de brigadeiro não resolva, né? ;)

31 de maio de 2012

Faxina

Daí a gente resolve apagar uns arquivos inúteis do computador... Daí a gente acha escritos como esse, que fazem a gargalhada rolar solta. Dói perceber que o futuro é esse bicho estranho, que depois de um certo tempo acaba virando só mais uma lembrança num pedaço de papel.

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Sexta-feira, 27 de maio de 2011, 23h45.

(...)
Eu te conheço há menos de um mês. Não é tempo suficiente pra saber quase nada a seu respeito, apenas que a essa hora você provavelmente estará acordado, assistindo a qualquer desenho animado.
Não sei se você é solteiro, casado, se tem filhos ou se é desquitado. Não sei se você está de fato me cantando ou se eu é que estou fantasiando tudo isso. 
(...)
O plano é: eu vou te dar corda até descobrir o que fazer. Enquanto isso a gente pode se conhecer melhor, você pode me contar do que gostava de brincar quando era pequeno e qual o nome da sua prima mais chata. Garanto que assunto nunca vai faltar.
Não demore pra pedir meu telefone e me chamar pra sair, tá?
(...)

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PS: Não me julgue, você também já escreveu algo assim um dia!

30 de maio de 2012

I don't love the sound of you walking away...

Ela podia simplesmente aproveitar um dia tranquilo - ou quase - ao lado de pessoas queridas. Ela podia simplesmente ver as fotos e pensar "que bom que eu estive lá". Ela podia simplesmente ouvir e reouvir as músicas de novo e de novo, sem se dar conta de que, de algum modo, elas ficarão marcadas durante algum tempo por uma experiência única. Um mês? Um ano? Vinte anos? Quem sabe?

Acho que é por isso que reunimos os amigos/namorados/whatever pra assistir a shows/jogos de futebol/eventos de qualquer natureza. Em um determinado momento essas pessoas todas estiveram juntas, gritando loucamente no melhor que seu inglês breto-brasileiro poderia fazer. Acompanharam as músicas, pensaram "queria estar mais perto do palco" e deixaram suas atenções em outras coisas em um segundo plano bem distante. Come on, let's get high...

O grande problema é que depois do domingo de sol no parque sempre vem a segunda de ressaca do que não pode voltar, a terça de stress no trabalho, a quarta que se arrasta infinitamente, a quinta de desespero por não ter conseguido descansar ainda e a sexta com o peso de toda a semana nos ombros.

Dai-me serenidade, porque se der forças eu saio correndo daqui e não volto nunca mais! =O

7 de abril de 2012

Ponto final

Era uma vez uma menina que quase nunca terminava o que começava. De simples tarefas como arrumar o quarto até relacionamentos. Esta é a história da menina que não conhecia o ponto final.

Não sei dizer como tudo começou, mas um belo dia ela resolveu começar a colocar apenas um ponto ao final do que fazia, ao invés das inconstantes vírgulas e travessões, ou das tão temidas reticências que a faziam esperar séculos para que algo tivesse seu desfecho. Um belo dia ela simplesmente se cansou.

Mas daí vieram as complicações. Ela descobriu que não era a única a deixar 15 "tarefas" rolando ao mesmo tempo. Percebeu que certas pessoas são incapazes de compreender que "sim" é sim, e "não" é não. E ponto. Alguns amigos secretamente aprovaram sua coragem, pois eles mesmos não agiam daquele modo. Outros abertamente declaravam-se contra a tal atitude, onde já se viu terminar aquilo que mal começou (mal)?

Só mesmo nesta época Saramago conseguiria fazer sucesso sem pontos finais. E a menina só foi entender isso depois de muito pensar e se desgastar.

O ponto final - seja ele gráfico ou alegórico - é importante, porra!

18 de março de 2012

Surpreenda-me!

Não vou recitar a mesma ladainha de sempre, prometo.

Ou não.

É impossível não repetir certas coisas quando realmente se acredita que sejam estes os detalhes que fazem tanta diferença no final das contas...

(Sugiro dar o play)
Zeca baleiro - telegrama by minha radiola

Já cantou o maranhense José Ribamar Coelho Santos que sentia-se mais solitário que um paulistano. O paulistano Kléber Cavalcante Gomes assomou que não existe amor em SP. Já o dizem as pichações por todos os muros da cidade, implorando mais amor, por favor. Serão os habitantes da megalópole assim tão ímpares?

Acho que faltam, na verdade, rituais. Em algum lugar entre queimar sutiãs e tornar os divórcios mais rápidos do que o pagamento das prestações da festa de casamento perdeu-se o olhar, desejar, tocar, dançar. Um amigo riu ontem quando eu disse que há pessoas que sentem-se bem ao caminhar na multidão, apenas para esbarrar em outras pessoas, para sentir o contato físico de algum outro ser que não ele(a) próprio(a). Não riam. Há pessoas que não vêem outra saída.

Mulheres, parem com essa babaquice de "eu sou auto suficiente e posso chamar um cara pra sair se eu quiser". Pode, mas não deve fazê-lo sempre. Homens, parem com essa babaquice de "ela vai dizer não só pra me deixar mais excitado". A Mulher que te quiser vai dizer "Sim!" - assim mesmo desse jeito, com exclamação e tudo! (Veja bem, Mulher, favor não confundir com qualquer outro ser do gênero feminino como Piriguete ou Menina-mimada-que-só-quer-atenção)

Por que não abrir uma porta, aceitar uma gentileza, simplesmente dizer um elogio ou aprender a recebê-lo sem ligar o alarme de emergência máxima dentro do coração? O mesmo amigo que riu da minha teoria disse algo que me fez pensar. "Eu quero uma mulher que me faça querer ser um gentleman, que me faça sentir vontade de fazer as coisas por ela".

Mercado temos. Falta apenas o investimento certo ;)

19 de janeiro de 2012

Segredos

Todos temos um sexto sentido. Chame de "sentido de aranha" se quiser, mas admita que sempre que alguma coisa importante é iminente o corpo agita-se todo, a cabeça não consegue manter o foco e o coração grita por socorro. "Mas, afinal, o que é que está acontecendo comigo?"

Há aqueles que gostem de compartilhar essas sensações com os amigos. Contam histórias, fazem projeções, aguardam ansiosamente pelas reviravoltas que o Grande Autor virá a inserir na história de suas vidas. Outros simplesmente guardam segredo, inventam que comeram algo que não fez bem e por isso estão com essa cara estranha. Mas por dentro sempre esperam que algo venha a acontecer. E que venha logo!

Já que 2012 começou muito bem, não vou reclamar de nada. Nada! Mas, ah, que friozinho na barriga...

PS: Caloura, again!
PS2: Só falta aquele último detalhe

Pra acompanhar a leitura: homenagem singela e despretensiosa à voz que silenciou 30 anos atrás. "Meus discos, meus livros. E nada mais"

26 de dezembro de 2011

Conversa de travesseiros (ou "O que ler Dostoiévski pode fazer com seu subconsciente")

Tudo começou como um capricho. Dormia com dois travesseiros; coluna torta, cabeça pesada. Mesmo no verão não se privava do lençol e uma colcha. Rinite. Mesmo que dormisse como uma pedra os sonhos a levavam alto, tão alto que o vento que tomava no rosto sempre a fazia acordar com a garganta doendo. Pequenas frescuras.

Havia dias em que inventava de dormir com os pés na cabeceira da cama. "Durmo sozinha, ninguém pode me julgar", justificava-se. Levava para baixo das cobertas sempre um companheiro diferente nas madrugadas em que o sono demorava a chegar. Cony, Dostoiévski, Bukowski, Mark Knopfler e seus solos transcendentais. Passou anos desta maneira.

Em uma noite quente de Natal em que era impossível fechar a janela, decidiu usar um dos travesseiros como barricada para a brisa que invadia seu quarto. Deu tão certo que o hábito se transformou em necessidade. "E quando você se casar e tiver que dividir a cama com alguém? Como vai ser?", reclamava a mãe. "Bah!, depois penso nisso", retrucava.

Dito e feito: seu marido tinha que aguentar aquele travesseiro entre eles. Ela tentou, em vão, substituir a peça de espuma pelo lençol, mas nada a dava tranquilidade suficiente para fechar os olhos. O cônjuge sentia-se desprezado, apesar de todo o carinho que recebia nas 16 horas restantes do dia.

Não entendia seus motivos, então desenvolveu uma obsessão por aquela parede fofa. Chegou a extremos infantis, como esconder o travesseiro sobressalente ou mesmo arrancá-lo de cima do rosto de sua amada durante a noite. Nada adiantava. A falta da peça fazia com que ela acordasse imediatamente e iniciasse a mesma discussão de sempre:

"Me deixa!"
"Mas eu quero te fazer um cafuné!"

ou

"É perigoso! E se você ficar sufocada?"
"Isso nunca vai acontecer!"

O marido, resignado, ia dormir sempre antes dela. Cada um em um canto da cama king-size com colchão de quinhentas molas. Desenvolveu distúrbios de sono, roncava, mexia-se demasiadamente, falava durante a noite inteira. O travesseiro a impedia de ouvir a sinfonia da separação.

Certa vez ele levantou-se e foi espalhando todos os cobertores pela casa. Ela acordou com frio, percebeu que o esposo não estava ao seu lado, pegou um edredon no armário e voltou para a cama. "Sonambulismo, era só o que faltava!", pensou, antes de meter a cabeça embaixo do travesseiro de novo. Pela última vez.

19 de novembro de 2011

Quem muito se abaixa...

Escrevo isso no calor do momento. Admito que as palavras podem soar um pouco como as da raposa que desdenha as uvas que não pode alcançar. Talvez sim. Ou talvez eu tenha mesmo razão.

Desde pequena eu vou a festivais. Não tenho direito nenhum de me declarar expert em eventos desse tipo, até porque não é algo que se possa atestar. Mas posso dizer que, do SOS da Vida à Queima das Fitas, já presenciei muitas boas apresentações e outras tantas que... bem, deixa pra lá.

Quem tem uma banda de qualquer coisa sabe o quanto é difícil conseguir seus quinze minutos de fama, seja na praça do bairro ou num dos milhares desses festivais de todos os tamanhos, cores, crenças e regiões.

Alguns dias antes do anúncio do primeiro Lollapalooza brasileiro o bolso grita. Boatos, rumores, murmúrios e "fontes confiáveis" atestam que a brincadeira pode girar em torno de trezentos reais por dia de espetáculo. Um espetáculo que incluiria nomes como Foo Fighters, Arctic Monkeys e Jane's Addiction (os donos da bola, aliás) ao lado dos tupiniquins Marcelo Nova, Plebe Rude e Velhas Virgens, entre muitos outros que pisariam o palco em um fim de semana do próximo (já?) Abril.

Não estou reclamando apenas do preço. O Planeta Terra, que aconteceu no começo deste mês, trouxe pouco mais de uma dúzia de apresentações em apenas um dia de show e ficou na mesma faixa salgada, aquela que nos faz pensar na real utilidade de dois rins em nosso corpo...

Todos sabem que não é fácil organizar eventos desse porte. Requer (muito) dinheiro, disponibilidade, interesse de vários grupos e, principalmente, uma programação que agrade ao público - o principal motivo disso tudo acontecer. Ainda estudo o boicote a esse grande festival, não por simples birra, mas porque afinal todos temos contas mais urgentes a pagar, certo?

A Chácara do Jockey Club pode até ser um espaço grande, mas a estrutura deixa a desejar; desde o transporte público até alimentação, banheiros, etc. E tem também o fator LAMA, que deixa marcas indeléveis na lembrança de quem já foi a algum evento no referido local.

Deixo, enfim, a mensagem de alguém que também não ficou nada contente com o caminho que a coisa toda está tomando:

8 de agosto de 2011

Dê.

Eu não sabia quem eram Miranda Kassin e André Frateschi até uma feliz coincidência de ter a TV ligada numa noite de sábado + uma aparição deles no Altas Horas. Um casal fofo e talentoso, unindo amor e música em todos os sentidos. Naquela mesma semana ganhei ingressos pra uma apresentação da Miranda numa casa de shows em São Paulo (ganhei também autógrafo, beijos e abraços), e dois meses depois fui ver a peça que o André estava fazendo no teatro FAAP, "O inverno da luz vermelha". Não preciso dizer que virei fã, preciso?

Todo esse nariz de cera é só pra enfatizar a mensagem e o vídeo que eu queria postar hoje:

"Amigos, chega dessa pasmaceira. Chega dessa eterna covardia amorosa. Se vocês soubessem o que elas andam falando por aí... horrores ao nosso respeito! E o pior é que elas estão cobertas de razão. Prestem atenção, amigos. Faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo. Diante da menor intimidade logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. Que que é isso, companheiros? Fugir à melhor das lutas?"

Dê amor | Dê paixão | Dê espera | Dê esperma | Dê prazer | Dê fogo | Dê uma nela | De carinho | De sacanagem | De sarro | De fato | Dê amor | Dê segurança | De anca na anca dela | E amanheça de cabeça dentro dela




Boa noite.

29 de junho de 2011

Jeitos e jeitos


Sorridente. Fechado. Solitário. Orgulhoso. Carente. Brincalhão. Inteligente. Atencioso. Mandão. Carinhoso. Medroso. Curioso. Desligado. Educado. Babaca. Saudosista. Sensível. Devagar. Lerdo. Muito, mas muito lerdo. Sincero. Alto. Bonito. Sensual.

Todos (as) sempre vêm com os mesmos adjetivos. O mesmo jeito de chegar arrebentando com qualquer barreira que você tenha colocado no meio do caminho, depois que aquele (a) último (a) veio, e fez o que fez...

Todos sempre cheios de estrelinhas brilhando ao redor, sininhos tocando ao fundo, borboletas que de repente invadem seu estômago. E por mais que você goste, é sempre complicado acostumar-se com esses bichos voadores dentro de você...

Esses são dias difíceis para os sonhadores. Devia haver uma lei que proibisse certo tipo de pessoas de assistir a filmes românticos, conhecer gente nova ou mesmo sair às ruas...

Por que você me esquece e some? E se eu me interessar por alguém? E se ele de repente me ganha? Não sou nem quero ser sua dona. É que um carinho às vezes cai bem. (Na versão de Peninha, por favor!)

Isso tudo, no final, só cria textos confusos como este; pequenos fragmentos de conversas alheias (ou quase) que vêm rondando as mentes e corações nos últimos dias. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei...

21 de maio de 2011

Your song

Aqui em casa as mulheres são prendadas. Aprendi com minha mãe, que aprendeu com a minha avó, que aprendeu com a minha bisavó, etc etc etc. A máquina de costura nunca passa muito tempo parada, seja pra fazer roupas, panos de prato ou chaveirinhos. Eis que a "obra de arte" da vez é uma colcha de patchwork.

Patchwork é uma coisa que parece simples mas dá um puta trabalho. Tem que cortar o tecido em pedaços, costurar pedaços pra formar blocos, costurar blocos pra montar todo o quebra-cabeça, fazer o forro, rechear com manta acrílica e depois alinhavar tudo de novo pra ficar fofinho como se deve. É nessa parte do alinhavo (aka quilting) que eu sempre entro pra ajudar, porque é a única parte em que eu posso costurar de um lado e a minha mãe do outro sem que uma atrapalhe a outra.

Ontem à noite eu resolvi pegar na linha e na agulha. Minha mãe tem um rádio que fica na sala de costura, sempre sintonizado na Alpha FM. Segue o diálogo:

- É, filha, você tem razão.
- Razão de quê?
- A Alpha tem só 200 músicas, que eles repetem sempre. Já tou há três dias aqui e não aguento mais ouvir a mesma coisa.
- Então põe um CD aí.

Pus a coletânea dos Beatles pra tocar. Não é o meu CD preferido, não era exatamente o que eu gostaria de estar ouvindo, mas agradaria aos ouvidos gerais naquele momento. Alguns minutos depois eu já estava entretida com o trabalho, comecei a cantar.

Last night I said these words to my girl
I know you never even try girl...

Minha mãe ficou me olhando, nostálgica, surpresa ou sei-lá-o-quê. "Eu nunca imaginei minha filha cantando uma música que eu gostava de ouvir quando tinha a idade dela."

Ok, são 32 anos de diferença. Não imagino minha filha fazendo coisas que eu faço hoje, mas também não consigo pensar no tipo de música que ela vai gostar, nas roupas que ela vai vestir e nos programas que ela vai fazer. Só espero que o tempo seja bonzinho comigo e não transforme Restart e Justin Bieber em "clássicos".

10 de maio de 2011

A dama e o vagabundo

Você é certinha demais pra mim. Ou talvez eu é que seja largado demais pra você.

Você se arruma toda, pinta as unhas de vermelho, passa batom e finge que me engana dizendo que só faz isso porque está com os lábios rachados de frio. Sei bem o frio que eu sinto quando você me olha daquele jeito fundo, procurando ver lá dentro algo que está estampado na minha testa faz tempo.

Você ri de um jeito tão sincero que eu até me envergonho do meu riso amarelo com borrachinhas verdes. Principalmente depois que você, corinthiana roxa, já disse que não gosta de verde. Eu sei que não foi pra mim, mas até a próxima visita ao dentista eu juro que não abro um sorriso pra você!

Você tem aquela mania besta - que eu adoro - de ficar cantarolando baixinho qualquer música que esteja grudada na sua cabeça. E que repertório! De Beatles a Falcão, nada escapa. Quando não conheço eu faço cara de paisagem porque sei que você vai me dizer quem, de onde, de quando, qual o estilo e o melhor cd pra eu ouvir. Quando eu já conheço até tento cantar junto, só por dentro, mas o nosso dueto ainda precisa de muitos ensaios pra uma apresentação digna.

Você finge que não se importa quando eu não te dou atenção, mas depois fica arranjando qualquer desculpa pra falar comigo. Eu evito de propósito, e não pense que dói menos em mim cada vez que eu sumo sem dar explicação.

Isso porque eu sou esse bicho desengonçado que veste sempre a mesma camiseta surrada dos Ramones e ainda gosta de assistir Simpsons. Que não faz nada direito e morre de medo de realmente nada dar certo no fim das contas. Eu sou apenas um rapaz latino americano com alguns trocados no bolso e vontade de te levar pra bem longe daqui. Você iria?

(Lúcio Paulo - 10/05/2011)

21 de abril de 2011

O meu pé de Laranja Amarga

Sei que quase ninguém leva a sério este blog - começando pela própria dona. Mas aqui vai uma ótima dica de leitura pra este feriado-mais-do-que-prolongado que se inicia hoje:

"O meu pé de Laranja Lima" foi publicado em 1968 por José Mauro de Vasconcelos. Já virou filme, novela, foi adaptado em várias línguas e até em quadrinhos na Coréia. Mas o que tem de tão interessante um livro de cento e tantas páginas pra fazer esse sucesso todo?

Zezé é um menino pobre que tem 5 anos e uma penca de irmãos. Ele é muito esperto, aprende mil coisas com seu tio e adora aprontar com os vizinhos. Apesar da pouca idade já entende de "problemas de adultos" como falta de dinheiro e de afeto. Ele "ganha" uma laranjeira quando sua família muda de casa, e sua imaginação transforma a pequena planta em seu confidente e companheiro de aventuras. Carente demais, Zezé acaba conquistando a amizade do sr. Manoel "Portuga" Valadares, um senhor solitário que se afeiçoa ao pequeno e à sua história sofrida. Acontece uma coisa muito triste mas eu não vou contar porque isso aqui não é lugar de spoiler.

Li este livro pela primeira vez em 20/06/2001 por obrigação escolar. Chorei muito ao final e fiquei morrendo de vergonha de admitir isso. Como podia uma história simples como essa me arrancar lágrimas, em um ano que trouxe pra minha lista literária livros bem mais tristes (e reais) como Olga e os diários de Anne Frank e Zlata? Enterrei o livro no fundo do armário, junto com os meus próprios diários.

Mudanças de moradia e de mente vieram. O livro, uma edição de bolso de 1968, me acompanhou fechado durante esse tempo. Até o último sábado.

Eu já estava de saída quando olhei pra estante. Dom Quixote sorria pra mim, com suas 500 páginas de moinhos de vento, esperando que eu o colocasse na bolsa e o levasse pra mais uma longa viagem de ônibus. Por que não experimentar um livro mais leve? Peguei o menor livro, 16x10,5 cm. Lá fui eu pra Virada Cultural na companhia de Zezé com suas bolinhas de gude e figurinhas de artistas no bolso. Meu desafio era reler a obra sem derramar uma só lágrima e, de quebra, descobrir o que é que tinha me feito chorar tanto na primeira vez.

Missão quase cumprida, terminei de ler ontem; e foi inevitável. É uma história amarga. Se chorar por causa de um livro aos 13 anos é vexatório, que dirá aos 23?

15 de março de 2011

Papibaquígrafo (ou "Como complicar o que é simples")

Minha prima casou. Depois de 10 anos de namoro, alegrias, tristezas, rotina. Mas todos sabem que o melhor disso tudo é a reunião da família, certo? [#not!]

A avó, toda melosa, antecipando a saudade. As tias reunidas à volta da mesa, trocando reminiscências de seus próprios casamentos. As primas pensando: "Quando for a minha vez eu não quero essa zona, não!"

Daí vem a chuva de perguntas como "Você não tá namorando?" e "Qual dos sobrinhos vai ser o próximo?". Mas a pior de todas é a réplica: "Quantos anos vc tem?" -[resposta] "Já tá na hora, hein?" O.o

Daí vêm os cálculos, porque para seguir a ordem cronológica ainda preciso que 3 primos se amarrem pra realmente começar a pirar com isso. Daí vem a calma, afinal eu ainda tenho alguns passos a cumprir.

Desisto, pela centésima vez na vida, desisto. O amor que me encontre. Com ou sem exército de tias perguntadeiras. Com ou sem "Stairway to heaven" tocando na igreja. E principalmente: sem a minha ajuda que só atrapalha.

*UPDATE* Hahahaha. Essa aqui já aprendeu cedo: "Fine! I'll find a different man" ;P
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