Das palavras que para mim perderam parte (senão todo) de seu significado, uma delas é "crise". A sociedade está em crise. As instituições financeiras ao redor do mundo estão em crise. O país enfrenta diariamente várias crises.
Crise é algo subjetivo. O dicionário indica um momento que antecede a tomada de decisão. Geralmente envolve um ou vários dilemas, que serão resolvidos ao final desse período de reflexão. 88% das crises surgem nos fins de semana, 75% delas no domingo à noite.*
Desde que concluí a faculdade - e até um pouco antes disso - penso em uma segunda graduação, pós, mestrado, doutorado, pós-doutorado (e como saber se ainda preciso usar hífen?)... Falta dinheiro, sim. Falta um pouco de planejamento também. Falta posicionamento, porque morar no interior e trabalhar/estudar na capital é algo por si só extremamente desgastante. Mas o principal é que falta uma definição. Estudar o quê? Onde? Pra quê? Vale a pena recomeçar do zero se for preciso?
Crise. Aquela coisa que nos deixa com uma sensação de impotência indescritível. Você não sabe qual o próximo passo, mas sabe que precisa continuar. Você pede conselhos, analisa propostas, busca saídas mas continua sem nada. E a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou...
Qual é a sua crise, José?
* 83% das estatísticas que citamos são inventadas na hora. Apenas 15% se aproximam da realidade.
Sarah Kelly escreve neste blogue quando lhe é permitido. Ela quer que as pessoas ouçam o que ela tem a dizer, mesmo que muitas vezes tudo só faça sentido para ela mesma.
29 de janeiro de 2011
18 de janeiro de 2011
Ideia fixa
Era uma vez uma princesa. Ela estava sempre ferrada e se ferrava ainda mais no decorrer da história, até conhecer o príncipe encantado que a tiraria daquele mar de lama e a levaria pra um reino distante, onde pudessem casar, ter filhos e ser felizes pra sempre. Lindo, né?
O problema é que os dragões da vida real são maiores, mais fortes e muitas vezes moram dentro de nós mesmos. Cabe a nós expulsá-los, pois ideias fixas podem ser muito perigosas. Principalmente quando envolvem uma segunda pessoa. Ou será que alguém gosta de ficar como a menininha aqui?
Tenho certeza que duas semanas depois da mudança ela nem se lembrava mais do nome do dito-cujo. Life goes on.
PS: Come back to earth, beibe. Quando um não quer, dois não fazem.
O problema é que os dragões da vida real são maiores, mais fortes e muitas vezes moram dentro de nós mesmos. Cabe a nós expulsá-los, pois ideias fixas podem ser muito perigosas. Principalmente quando envolvem uma segunda pessoa. Ou será que alguém gosta de ficar como a menininha aqui?
Tenho certeza que duas semanas depois da mudança ela nem se lembrava mais do nome do dito-cujo. Life goes on.
PS: Come back to earth, beibe. Quando um não quer, dois não fazem.
3 de janeiro de 2011
2011 wishes
Eu ia postar o resumão do ano. Eu ia fazer a lista dos melhores CDs que ouvi, dos livros mais incríveis que li e dos maiores filmes que não vi. Bah, eu ia.
Postando só pra abrir um novo ano, lembrar que fazer planos é importante, mas mais do que isso também é importante fazer algo para que tudo aconteça. Que 2011 venha com todas as novidades que eu tenho esperado. Que traga um emprego digno, que traga bons amigos e quem sabe uma ou outra surpresa extra.
Que eu ouça muita música boa e leia bem mais do que li neste 2010 que hoje se torna passado. Que eu possa ir mais ao cinema, apesar do preço absurdo, da falta de companhia às vezes frequente e de não ter mais direito à meia entrada (ai que saudade de ser estudante!).
Que o que é bom permaneça e o que é ruim permaneça também... bem longe! Já consegui grandes vitórias neste último ano da primeira década, então acho que mereço continuar bem, certo?
Vem com tudo, 2011, que você é meu.
Postando só pra abrir um novo ano, lembrar que fazer planos é importante, mas mais do que isso também é importante fazer algo para que tudo aconteça. Que 2011 venha com todas as novidades que eu tenho esperado. Que traga um emprego digno, que traga bons amigos e quem sabe uma ou outra surpresa extra.
Que eu ouça muita música boa e leia bem mais do que li neste 2010 que hoje se torna passado. Que eu possa ir mais ao cinema, apesar do preço absurdo, da falta de companhia às vezes frequente e de não ter mais direito à meia entrada (ai que saudade de ser estudante!).
Que o que é bom permaneça e o que é ruim permaneça também... bem longe! Já consegui grandes vitórias neste último ano da primeira década, então acho que mereço continuar bem, certo?
Vem com tudo, 2011, que você é meu.
25 de novembro de 2010
The sounds of silence
Este é o quinto dia em que tento escrever alguma coisa pra que alguém - ou ninguém, como sempre - leia. Quero contar dos shows maravilhosos que vi, das besteirinhas tão símplices que soube que fizeram alguém feliz lá longe, de tudo o que me vem passando pela cabeça nesses cinco dias em que a rotina fez questão de se impor, quase como que avisando: "pode pisar nas nuvens pelo tempo que for, porque de mim você não foge!"
"De hoje não passa", pensei. Queria escrever um texto genial, falando de como burlei a segurança e entrei no festival com um perigosíssimo pacote de salgadinho de soja escondido. Ou de como passei o sábado todo à base de uma batata assada e meia, algumas cervejas e um punhado de biscoitos tipo "sembei" com gergelim. Queria dizer que nunca na vida tive tanto medo de um barco viking, eu que achei que já estivesse grandinha demais pra isso.
Achei que fosse essencial falar da companhia, já que amigos tanto próximos quanto distantes estavam lá. Imaginei como seria legal se a Tânia, por exemplo, lesse isso aqui e lembrasse que, sem querer, ela passou do meu lado no show dos Novos Paulistas. Pra que marcar encontros quando o Acaso já se preocupa com isso? E quando o acaso não basta, nada que uma foto não possa trazer os amigos que estão lá nas terras do Norte pra assistir aos shows conosco:

Pensei tambem em contar do friozinho na barriga que senti quando ouvi os primeiros agudos do Mika dominando aquele palco imenso. Do quanto eu pulei ao som de músicas que ouço há quase quatro anos. Do quanto eu lembrei de coisas que já não existem mais, enquanto ele pedia "A little bit of love, little bit of love..." Fui forte, as lágrimas - de saudade, tristeza ou arrependimento - não vieram. Também não poderiam, era dia de festa.
Festa da Dani, um dos presentes que Deus colocou na minha vida e falou "Toma conta que essa aqui é peça rara". Pra que gastar dinheiro com algum presente qualquer quando se pode ver os olhos da sua amiga brilhando, porque ela está a poucos metros do cara que embalou muitos momentos da vida dela? Não tem dinheiro que pague isso, nem escassez de ingressos que te impeça de importar um diretamente de Campinas ;)
Não podia omitir o fato de ter conhecido o Wagner e de ter aproveitado o show do Pavement em ótima companhia. Eu prometi que não ia atrapalhar, que ia ficar bem quietinha, e acho que cumpri direitinho =) Isso porque também não posso esquecer a cereja do bolo, ter sido praticamente expulsa do Playcenter com um "Vai pra casa, são-paulino" que eu tenho certeza que foi pra ele. No meu time, não!
Escreveria sobre a organização muito boa, sobre a cerveja aguada, quente e cara, sobre todas as forças que se foram enquanto eu pulava, gritava e me amassava no meio de tanta gente. Eu faria disso uma tentativa de esgotar todas as lembranças em palavras, para que esse loop eterno finalmente saísse da minha cabeça. É realmente constrangedor ser flagrada por um aluno enquanto você canta baixinho "Fun for an hour till the hour's gone | Can one trick night feed fourty days?"
"De hoje não passa", pensei. Queria escrever um texto genial, falando de como burlei a segurança e entrei no festival com um perigosíssimo pacote de salgadinho de soja escondido. Ou de como passei o sábado todo à base de uma batata assada e meia, algumas cervejas e um punhado de biscoitos tipo "sembei" com gergelim. Queria dizer que nunca na vida tive tanto medo de um barco viking, eu que achei que já estivesse grandinha demais pra isso.
Achei que fosse essencial falar da companhia, já que amigos tanto próximos quanto distantes estavam lá. Imaginei como seria legal se a Tânia, por exemplo, lesse isso aqui e lembrasse que, sem querer, ela passou do meu lado no show dos Novos Paulistas. Pra que marcar encontros quando o Acaso já se preocupa com isso? E quando o acaso não basta, nada que uma foto não possa trazer os amigos que estão lá nas terras do Norte pra assistir aos shows conosco:
Pensei tambem em contar do friozinho na barriga que senti quando ouvi os primeiros agudos do Mika dominando aquele palco imenso. Do quanto eu pulei ao som de músicas que ouço há quase quatro anos. Do quanto eu lembrei de coisas que já não existem mais, enquanto ele pedia "A little bit of love, little bit of love..." Fui forte, as lágrimas - de saudade, tristeza ou arrependimento - não vieram. Também não poderiam, era dia de festa.
Festa da Dani, um dos presentes que Deus colocou na minha vida e falou "Toma conta que essa aqui é peça rara". Pra que gastar dinheiro com algum presente qualquer quando se pode ver os olhos da sua amiga brilhando, porque ela está a poucos metros do cara que embalou muitos momentos da vida dela? Não tem dinheiro que pague isso, nem escassez de ingressos que te impeça de importar um diretamente de Campinas ;)
Não podia omitir o fato de ter conhecido o Wagner e de ter aproveitado o show do Pavement em ótima companhia. Eu prometi que não ia atrapalhar, que ia ficar bem quietinha, e acho que cumpri direitinho =) Isso porque também não posso esquecer a cereja do bolo, ter sido praticamente expulsa do Playcenter com um "Vai pra casa, são-paulino" que eu tenho certeza que foi pra ele. No meu time, não!
Escreveria sobre a organização muito boa, sobre a cerveja aguada, quente e cara, sobre todas as forças que se foram enquanto eu pulava, gritava e me amassava no meio de tanta gente. Eu faria disso uma tentativa de esgotar todas as lembranças em palavras, para que esse loop eterno finalmente saísse da minha cabeça. É realmente constrangedor ser flagrada por um aluno enquanto você canta baixinho "Fun for an hour till the hour's gone | Can one trick night feed fourty days?"
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